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A educação a serviço da vida e da Esperança PDF Imprimir E-mail

Educar é tarefa vital e difícil. Consiste em fazer desabrochar a pessoa, amadurecendo as capacidades inatas. É serviço de dedicação sem limites sob o impulso da esperança.

 Neste título, se bem o analisarmos, estão contidos três elementos de otimismo que abrem horizontes extraordinários para a construção de uma nova cultura: a cultura da solidariedade.

 A educação é a base desse processo, cujo termo se perde no incomensurável do ideal. Não me arrogo a pretensão de definir a educação. Aponto apenas alguns conteúdos que jamais podem faltar em uma educação que seja sólida e duradoura.
 “Educar” vem do termo latino “e + ducere”: tirar, retirar, auferir, deslindar, fazer aflorar...

 Nascemos como pessoas completas: seres individuais, inteligentes, amorosos, movidos pelo desejo do bem, comunitários, sentimentais, livres.

 A educação, pouco a pouco, nos levará a ser personalidade, isto é, pessoas amadurecidas, realizadas, aperfeiçoadas em suas capacidades incontáveis, em suas dimensões vitais, libertando a nossa liberdade dos entraves que a procuram escravizar. A educação é o caminho da “personalização”: lento e, por vezes, penoso desabrochar da pessoa para se tornar personalidade.

 Nascemos sociáveis, mas não somos – automaticamente – sociais. O abandono do individualismo, do egocentrismo, do fechamento em nosso pequeno mundo individual é resultado, não raro difícil, do trabalho educativo. Esse caminho nos faz passar pela descoberta do outro para desembocar no seu respeito, apreço, e na integração dele em nossa vida. Só assim é possível crescer, realmente, em nossa ânsia de alteridade, solidariedade e fraternidade. O contrário seria o “narcisismo”, auto-satisfação, clausura no próprio “eu”. A educação, para nos levar ao senso da responsabilidade social, não pode esquecer a alavanca que nos tira do isolamento para levar às alturas da comunidade: o amor recíproco e altruísta.

 Todos, desde o primeiro instante, somos caracterizados por uma riqueza interior que poderíamos chamar de religiosidade: é uma profunda necessidade do Além, uma sede do Transcendente, do Absoluto, uma carência de Deus. Santo Agostinho traduz isso com as célebres palavras: “Nosso coração está irrequieto, enquanto não descansa em Deus”. Contudo, apesar dessa nobre tendência, não se tem, até aí, religião, prática religiosa, familiaridade com Deus. Essa prática religiosa será objeto da educação. Aprimoramento através de caminhos, revelados pelo próprio Criador: a oração, o culto, o canto, a prática de atos que nos aproximem, mais e mais, do próprio Deus, tais como a justiça, a caridade, o amor desinteressado.

A educação, para conseguir o seu objetivo, estará sempre a serviço. É um dos serviços mais elevados, dignificantes em favor do ser humano. Por ele o homem cresce, desabrocha, floresce, amadurece. É um serviço necessariamente humanitário, porque só assim chegaremos a ser aquilo que, ansiosamente, almejamos ser. Serviço precioso, embora, nem sempre, apreciado e estimulado por aqueles que têm esse dever.

A esperança consiste na certeza de alcançar nossos objetivos, por mais elevados que sejam. Ela se fundamenta na confiança e no auxílio da própria dignidade e vocação humanas. Seria destruidor e, até criminoso, frustrar, obstacular esperanças. Ao buscar esses objetivos, podemos e devemos contar sempre com o auxílio do próprio Deus, segundo garantias apresentadas por Ele mesmo: “Sem mim, nada podeis” (Jo 15,5); “Posso tudo naquele que me conforta” (Fl 4,13).

A primeira definição do homem é a de constituirmos um ser vivente. Não cabe aqui definir o que seja a vida. Contudo, o que dissemos da educação, pressupõe o respeito e a promoção da vida. Não basta viver, mas é preciso viver com dignidade. Todos conhecem o princípio: “É necessário educar para a vida”. Não se educa, propriamente, para a vida em si, mas para a qualidade, a modalidade da vida: para o bem-viver. Não se pode falar em educação sem um devotamento à vida, à dignidade, às circunstâncias de vida do educando. Essa é uma questão de suprema justiça, que não pode ser esquecida ou menosprezada por qualquer lei ou instituição que seja. É um direito inalienável e co-natural ao ser humano.

Tudo isso entra nas exigências da fraternidade. Em poucos termos, a Fraternidade é a solidariedade, elevada ao nível da Fé.

A educação verdadeira jamais pode prescindir da Palavra de Deus, estampada no mundo criado, impregnada na História, e, de muitos e variados modos, transmitida na Escritura e na Tradição Oral. É lá, nas Escrituras, que iremos buscar os segredos mais recônditos do ser humano. O destino de nosso viver terrestre e os significados múltiplos de nossas dores, sofrimentos e da própria morte.

Martin Heidegger não titubeia em descrever a morte como “realização final” (Voll + Endung), isto é, um aprendizado que redunda num acabamento de projeto, esboçado desde os primórdios do existir. A Sabedoria do Senhor transparece em cada página da Revelação, permeando as andanças da vida de cada pessoa. A Profecia nos faz vislumbrar e lobrigar as “nebulosas” do futuro, cujas passagens só se aclaram mediante a luz do Espírito. A Palavra de Deus nos faz palmilhar, outrossim, os caminhos da ética, da moral, do uso correto da liberdade.

Por isso e outras razões mais, a Bíblia há de ser o auxilio mais profícuo e benéfico para educadores e educandos. Podemos dizer, com o Salmista:
“Concede este favor a mim, teu servo:
deixa-me viver na observância de tua palavra!
Abre os meus olhos para eu ver
as maravilhas de tua lei...
Minh’alma se consome sequiosa nas tuas leis:
elas são minha delícia,
minhas conselheiras”.
(Sl 119,18-24)