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Adeus às armas PDF Imprimir E-mail
Escrito por Maria Clara Lucchetti Bingemer   

As leituras que a Igreja Católica propõe a seus fiéis na missa do terceiro domingo do Advento têm como tônica a alegria. O tempo da espera do Natal não é apenas de penitência e conversão, mas também de esperança e alegria. Por isso, a antífona de entrada da liturgia classifica este domingo como sendo "gaudete", verbo latino no imperativo que, em português, se traduz mais apropriadamente como: "alegrai-vos" ou "alegrem-se". Trata-se de uma grande convocação: "alegrai-vos, Deus está entre nós". Até a simbologia das cores utilizadas nas celebrações também quer favorecer essa manifestação da alegria: em vez do roxo penitencial, a cor dos paramentos é o vibrante rosa, simbolizando essa alegria causada pela presença do Senhor entre seu povo e pela proximidade de seu natal.

Em abençoada sintonia com o tempo litúrgico, o povo brasileiro tem boas e concretas razões para alegrar-se. Talvez uma das principais seja a aprovação do Estatuto do Desarmamento pelo Congresso Brasileiro. Nossos parlamentares acabam de aprovar uma das mais estritas e severas legislações contra as armas de toda o continente: fica proibido o porte de armas por parte de civis. E em 2005, um referendo popular pode chegar a eliminar por completo sua comercialização e posse.

O perene estado de pânico e susto em que vive a população brasileira frente a um cotidiano sempre mais violento foi certamente o maior e mais eficaz argumento para aprovar tal lei restritiva. Já o documento do Ministério da Justiça – o mais completo existente sobre a criminalidade no Brasil – publica estatísticas verdadeiramente aterradoras. Segundo a ONU, em 1995, houve 41 mil homicídios no país, sendo que 88,39% foram cometidos por armas de fogo. E somente no ano passado morreram, vítimas de armas de fogo, 40.000 pessoas no Brasil, o equivalente a 109 por dia.

O documento do Ministério da Justiça afirma que "o problema mais dramático é o verdadeiro genocídio a que vem sendo submetida a juventude brasileira, especialmente a juventude pobre, do sexo masculino e, em particular, os jovens negros. Em 1999, na cidade do Rio de Janeiro, em cada grupo de cem mil habitantes, 239 jovens do sexo masculino, com idades de 15 a 29 anos, foram vítimas de homicídios perpetrados por armas de fogo. A magnitude do problema é tal que suas conseqüências já são perceptíveis na estrutura demográfica. A estratificação etária da população apresenta um déficit de jovens do sexo masculino apenas comparável ao que se verifica em sociedades que se encontram em guerra. É como se o Brasil experimentasse os efeitos devastadores de uma guerra civil sem bandeira, sem propósito, sem ideologia e sem razão".

Com a lei agora em vigor, o porte de armas no Brasil passa a ser permitido somente a integrantes das forças armadas, policiais, guardas municipais, pessoal da carceragem e portuários. Trata-se, sem dúvida, de uma boa notícia que anuncia o começo de um caminho longo, porém promissor, em direção à construção da paz neste tão sofrido país.

Neste Advento, enquanto contemplamos João Batista indicando o que deve ser feito para preparar a vinda do Salvador – dar o que sobra, não ser ganancioso, não extorquir nem lesar o outro – podemos alegrar-nos como nos manda a Igreja. O Brasil começa a dar "adeus às armas". Se estivesse hoje entre nós o profeta João, certamente aconselharia:"deponde as armas e que ninguém use de violência contra o outro". Assim responderia a qualquer um que o procurasse perguntando o que deveria fazer para preparar a vinda do Senhor.

Portanto, adeus às armas, Brasil! E braços e coração aberto para acolher aquele que o profeta Isaías anunciou com palavras candentes e transbordantes de esperança: 1O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma luz... 5porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros, e ele se chama: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz. 6Seu império será grande e a paz sem fim sobre o trono de Davi e em seu reino. Ele o firmará e o manterá pelo direito e pela justiça, desde agora e para sempre. Eis o que fará o zelo do Senhor dos exércitos.

Disponibilizado pela CNBB em 18/12/2003