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Brasil, país de missão? PDF Imprimir E-mail
Escrito por Elbson   

Por: Maria Clara Lucchetti Bingemer

"Hoje há uma maior necessidade de testemunhas do que de mestres" (Paulo VI, EN)

Terminando já o mês de outubro, celebrado em toda a Igreja como mês das missões, podemos nos perguntar se o Brasil pode ser considerado país de missão. Habituados que estamos a considerar a missão como algo que a Igreja realiza junto aos incrédulos e infiéis, é o caso de nos perguntarmos se o país mais católico do mundo poderia ser considerado país de missão. Cremos que sim, uma vez que a missão não é somente anunciar a Boa Nova aos que não a conhecem, mas também e talvez sobretudo aos que a conhecem mas não a praticam. Nesse sentido, todo país é país de missão e o nosso também.

Que tal contar a missão a partir das testemunhas nos vários períodos históricos? O momento histórico e a diversidade geográfica, de um lado, e a teologia subjacente, do outro, são variáveis fundamentais para entendermos as convergências ou as continuidades e, também, as diversidades e as descontinuidades. O ponto de partida, no entanto, são as diferentes testemunhas. Contando a vida, as motivações e os métodos destes protagonistas conseguimos detectar as constantes e as diversidades.

Quais, portanto, estas constantes que caracterizam a espiritualidade missionária?Uma característica da espiritualidade missionária, e certamente ocupando o lugar central, é a paixão pelo Cristo vivo e pelo Reino. A pessoa de Cristo inspirou e continua motivando a opção profunda dos missionários e das missionárias. Não é possível que alguém trilhe este caminho sem ter sido arrebatado pelo Cristo Pascal. Somente quem tem um vínculo e uma intimidade excepcional pelo Mestre pode percorrer o caminho da missão sem retorno. A busca e a construção desta intimidade podem ser diferenciadas. Os caminhos da proximidade com o Mestre podem seguir diferentes métodos, mas ninguém pode se aventurar no empreendimento da missão sem ter sido arrebatado pelo amor do Senhor. Cada vocação, e especialmente missionária, pressupõe um chamado íntimo e radical por parte do Mestre. Este chamado decorre de uma experiência e de um encontro transformador da vida. É este o ponto de partida para o caminho da missão e que explica a adesão radical do discípulo. Em todas as figuras e as testemunhas que apresentamos, a paixão pelo Cristo missionário é o eixo motivador da própria espiritualidade. É um Cristo, no entanto como vimos, que está situado e caminha junto com os pobres deste mundo. Os deserdados, os danados da terra, os sem esperança, os feridos no caminho revelam o rosto sofrido de Cristo. Qualquer experiência de Jesus que não passa através da solidariedade com os abandonados, faz da experiência religiosa uma aventura romântica e intimista, mas não atinge o núcleo da experiência religiosa cristã. Dar a vida, como Jesus, é preciso, fazendo-se companheiro dos despossuídos.

A ótica do Reino e a paixão pelo sonho de Jesus fazem da espiritualidade missionária um caminho sem retorno. Historicamente, a aventura missionária nem sempre teve uma perspectiva reino-cêntrica. Hoje, após o Concílio Vaticano II, ficou clara a origem trinitária da missão, como fonte, método e fim, e, também, o serviço aos valores do Reino. O profetismo nunca esteve ausente do caminho da missão. È Amaladoss quem define que o núcleo central da missão é o profetismo. O Pe. Michael Amaladoss, eminente teólogo jesuíta, afirma que o profetismo e o coração da missão.

Há, também, o sentido do envio e da saída, sobretudo física, da própria terra de origem. A missão é um longo caminho que não tem mais retorno. O sentido do "sair da própria terra" significa a radicalidade de pertencer somente a Deus e ao seu projeto. Quem conduz a missão é Deus (Missio Dei). Não há outro projeto a ser implementado se não o plano de Deus. É ele que toma conta completamente da vida dos missionários e das missionárias para conduzi-los aonde ele quer e segundo a maneira que ele quer. Esta radicalidade é revelada através do ato de entrega e do fato de não pertencer mais a si mesmo.

Assim encontramos missionárias e missionários que, mesmo profundamente seguidores do Cristo pobre, tiveram uma atuação diferenciada e atitudes divergentes. E no Brasil tivemos exemplos gloriosos destas radicalidades de seguimento de Cristo e seu Evangelho. José de Anchieta, João Bosco Penido Bournier, Pedro Casaldaliga, e tantos outros homens e mulheres, estrangeiros ou brasileiros que entregaram suas vidas pela vida de Cristo nos outros e pela vida plena dos outros mesmos.

Testemunhas da caridade e da generosidade sem fronteiras, estes e estas nos dizem que ainda hoje somos país de missão e que cada um e cada uma de nos e chamado a por tudo que e é que tem a serviço de Jesus Cristo e seu Evangelho ali onde vive.

Disponibilizado no Amai-vos em 25/10/2003