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Deus amor, isto é, dom de si PDF Imprimir E-mail
         O tempo pascal caminha para a sua conclusão.  O coroamento será vivido com o envio do Espírito Santo, dom do Pai e do Filho à Igreja que se torna sacramento de Cristo para continuar realizando até o fim dos tempos a missão de Cristo.
O Espírito Santo e a Igreja realizam a obra de Cristo. A Igreja é a assembléia de todos os que ouviram o Evangelho, creram e se tornaram filhos de Deus pelo batismo.
         Na 1ª Carta, João recorda o específico do Cristão: portador de um mistério, o mistério mesmo de Deus. O imperativo inicial não deve enganar: o homem, por si mesmo, não é capaz de  amar.  Somente Deus sabe amar, porque ele é amor.
         O amor do Pai se manifesta na expiação dos pecados operada pelo Filho.  A expiação é o que torna puro o impuro. Permite aos pagãos de entrar e fazer parte do povo do Deus. Tal é o amor do Pai: através dele, tornamo-nos membros do povo de Deus, herdeiros das promessas, herdeiros de amor do Pai. É o que nos faz capazes de amar.  Porque fomos amados, também nós podemos amar: o amor fraterno, o amor recíproco é sinal do amor do Pai. Quando possui o amor, o cristão é portador do mistério mesmo de Deus: ser Uno em três pessoas mediante o amor.
         No evangelho de João 15, 9-17 aprendemos que a obediência nos faz permanecer no amor de Cristo. O texto nos mostra a compreensão: permanecer nas palavras de Jesus,  o mandamento do amor "Pedi e vos será dado. Produzireis muitos frutos": ser discípulo é igual a ser amigos. "Amai-vos como eu vos amei, até dar a vida pelos amigos". Observando o mandamento do amor, se permanece no amor de Cristo.
         É a revelação da alegria plena: a palavra como indica o modelo a imitar, a fonte vivificadora. Mediante a encarnação, o amor intra-trinitário se alarga até abraçar a humanidade que Jesus assume no seu fazer-se homem. Assim os amados tornam-se capazes de amar-se uns aos outros.
         A obediência plena do Filho ao Pai faz que o Pai se faça obediente ao Filho sempre. A obediência dos discípulos faz que Deus responda-lhes ao pedido.
         Esta é a obra do Espírito e não da vontade do homem: "Eu vos escolhi!" porque é o Espírito que, enviado pelo Pai no nosso coração faz que desejemos o que Deus mesmo quer.
         Nos últimos tempos e de modo quase apocalíptico assistimos à escalada do ódio, da vingança, da morte. Parece ser imperdoável o crime dos que assassinam, violentam, destroem, semeiam a dor, o sofrimento.
         Fazer justiça é simplesmente matar os que nos matam? Mas, deste modo a escalada da violência continuará.
         Mesmo que houvesse casas de correção suficientes para os assassinos, corruptos, dilapidadores dos dinheiros públicos e até do que é devido aos assalariados mal pagos, do que é devido à educação, à saúde, não se poria fim à violência, à luta de morte.
         As leis podem ser quase perfeitas e não alcançarão a paz. O poder coercitivo poderia ser completo e mesmo assim não se alcançaria a paz.
         O que importa é um coração novo para todos os humanos. Há muito coração de pedra, insensível, cheio de cobiça. Coração novo é o da conversão para o bem, à verdade, à justiça, à fraternidade, ao perdão, à misericórdia, à solidariedade, à paz.
         A solução não se encontra no exterior do homem mas no próprio interior, no coração.
"Como o Pai me amou, assim eu vos amei. Permanecei  no meu amor", diz Jesus. É a doação progressiva que o Pai faz do Filho, e o Filho de si, a nós, por nós.
Permanecer no amor de Cristo é perder-se, destacar-se de si como Pai faz brotar de si o Filho, imolar-se pelos outros como Jesus se oferece em sacrifício por eles.
         Jesus entregou-se inteiramente, deixou-se esvaziar pelos seus. A amizade é isso: consentir em não ter para si nada. O que nós doamos renasce, o que os outros nos levam embora, nos é dado de novo.
         Se Deus nos amou assim, devemos ajudar um ao outro a amar, aprender a querer-nos bem, ensinando-o um ao outro; é uma ciência que não se adquire uma vez para sempre, mas se aprende ao longo de toda a vida, indefinidamente.  O verdadeiro bem que nós podemos fazer não é um louvor lisonjeiro à nossa humana vaidade, mas apelo delicado que nos chama à condição de amigos de Cristo; não lição, nem reprovação; oração cheia de doçura que nos faça tomar consciência que estamos já no amor.
         "Cristo personifica o ideal da perfeição humana, livre de todo defeito de unilateridade, rica de traços característicos, seja masculinos ou femininos, livre de toda limitação terrena, os seus fiéis seguidores elevam-se sempre mais, além dos confins da natureza"  (Edith Stein).
Dom  Geraldo M. Agnelo - Cardeal Arcebispo de Salvador
22 de maio de 2006
Fonte: CNBB