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Esperança em tempos de decepções PDF Imprimir E-mail
Escrito por Dom Demétrio Valentini   

Este domingo nos coloca em clima de Advento, e nos encaminha de novo em direção ao Natal.

Advento acena para a esperança. Mas, nesse ano, a esperança se mistura com muitas decepções.


Na verdade, vivemos um tempo fortemente marcado pela queda de utopias, uma época de frustração de expectativas.

A prova mais evidente foi o baque da guerra no Iraque, que ficará como marca negativa, perversa, irracional e injusta, deste ano de 2003. A guerra no Iraque decepcionou os sonhadores da paz e deixou acabrunhados os que acreditam no relacionamento fraterno entre os povos.

Em nossos dias, esvaiu-se também, rapidamente, a utopia do progresso ilimitado que seria trazido pelas novas tecnologias. Em seu lugar, instalou-se uma impiedosa globalização, que vai acentuando as desigualdades sociais, enquanto sacrifica sem piedade valores tradicionais de muitas culturas humanas, em nome de uma padronização de produtos cuja comercialização favorece minorias privilegiadas enquanto agrava a situação de maiorias sempre mais empobrecidas.

A droga, a violência, os roubos e assaltos se tornam conaturais a uma sociedade que perdeu os valores que norteavam suas responsabilidades e sua convivência. O desemprego crescente aumenta a angústia da sobrevivência, enquanto revela a desordem estrutural da “nova ordem mundial” que se pretendia definitiva, mas que caducou mais precocemente que todas as anteriores.

Em meio a isto, o Advento e o Natal nos acenam para uma “esperança que não engana”, pois está fundada no fato que lhe dá consistência, o nascimento de Jesus, o Salvador, em Belém de Judá. E na promessa feita pelo próprio Senhor, garantindo-nos que “ele tem a história em suas mãos”. Como o Salmista, neste tempo de advento também dizemos: “é melhor confiar no Senhor, do que pôr no ser humano nossa segurança”.

Em tempo de decepções humanas, o Advento nos convida a renovar nossa confiança no Salvador Jesus Cristo e na força do seu Evangelho!

É a razão do Advento. Ele nos convida a perceber a vida em profundidade, para não ficarmos nas aparências que enganam. O próprio Natal corre o risco desta superficialidade. Já fomos advertidos, reiteradas vezes, do perigo de sua comercialização, e do conseqüente esvaziamento do seu conteúdo religioso e do seu apelo para a valorização da vida humana, que se expressa com eloqüência na figura do Menino nascido em Belém, símbolo de todos os “nascidos de mulher”.

Na verdade, bem entendido, o Natal pode também assumir as angústias da crise econômica que nos atinge de tantas maneiras, e amenizá-la através do incentivo ao consumo. Bom seria se este acréscimo de consumo em tempos de Natal significasse, não o esbanjamento irresponsável dos que possuem demais, mas a tão sonhada redistribuição de renda, de tal modo que todos pudessem ver atendidas suas necessidades vitais, para que acontecesse não só um “natal sem fome”, mas um ano inteiro de mesa sóbria e decente para todos.

Entrar no Advento e seguir em direção ao Natal significa acolher os valores do Evangelho, na esperança de concretizá-los em nossa sociedade.

Disponibilizado pela CNBB em 30/11/2003