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Espiritualidade e Compromisso Social PDF Imprimir E-mail
(*) Luiz Tadeu Dias Medeiros

1.     Leitura Bíblica e Reflexão Inicial

Amós 5, 10-13

O processo contra a riqueza -* 10 Eles odeiam os que defendem o justo no tribunal e têm horror de quem fala a verdade. 11 Porque esmagam o fraco, cobrando dele o imposto do trigo, eles poderão construir casas de pedras lavradas, mas nelas jamais irão morar; poderão plantar vinhas de ótima qualidade, mas do seu vinho não beberão. 12 Pois eu sei como são numerosos os seus crimes e graves os seus pecados: exploram o justo, aceitam subornos e enganam os necessitados no tribunal! 13 É por isso que nesse tempo o prudente se cala, pois o tempo é de desgraça.

 

Amós 8, 4-8

O lucro é um roubo -* 4 Escutem aqui, exploradores do necessitado, opressores dos pobres do país! 5 Vocês ficam maquinando: «Quando vai passar a festa da lua nova, para podermos pôr à venda o nosso trigo? Quando vai passar o sábado, para abrirmos o armazém, para diminuir as medidas, aumentar o peso e viciar a balança, 6 para comprar os fracos por dinheiro, o necessitado por um par de sandálias, e vender o refugo do trigo?» 7 Javé jura pelo orgulho de Jacó: Não posso jamais me esquecer de tudo o que essa gente faz. 8 Não é por isso que a terra treme e seus moradores todos se apavoram? Não é por isso que toda ela sobe como o rio Nilo e, como o rio do Egito, baixa novamente?

 

Reflexão

1) 7.10-13: Em praça pública, Amós anuncia o processo da riqueza: os poderosos se enriquecem graças à exploração do povo, que é assim reduzido à pobreza. A esperança do pobre seria que fosse feita justiça no tribunal, mas também aí os juízes torcem a justiça em troca de suborno. Diante de tal situação, a única saída para o homem prudente é calar-se, pois não adianta falar num ambiente onde as coisas se interpretam às avessas. Ao mesmo tempo, Amós anuncia a desgraça que vai atingir os grandes: eles não vão usufruir o que estão acumulando: a riqueza construída sobre a injustiça gera a ruína daqueles que a possuem.


2

 

COMENTÁRIOS SOBRE AMÓS (Bíblia Pastoral - Paulus)

-         Em meados do século oitavo antes de Cristo, pelo ano 760, um sitiante (7,14) chamado Amós «caiu na arapuca» de Deus (3,5), deixou sua vida tranqüila no Sul e foi anunciar e denunciar no Norte, onde reinava Jeroboão II (1,1). Um «leão começava a rugir» (3,8): era Javé colocando em polvorosa todo um regime de injustiças. Amós acabou sendo expulso, mas antes rogou uma praga em cima do sacerdote Amasias, que presidia o culto em Betel, de acordo com a vontade do rei (7,10-17).

-         Por que a palavra de Amós incomodava tanto? Exatamente porque ele anunciava que o julgamento de Deus iria atingir não só as nações pagãs, mas também, e principalmente, o povo escolhido; este já se considerava salvo, mas na prática era pior do que os pagãos (1,3-2,16). E Amós não se contentava em denunciar genericamente a injustiça social. Ele «dava nome aos bois»: os ricos que acumulavam cada vez mais, para viverem em mansões e palácios (3,13-15; 6,1-7), criando um regime de opressão (3,10); as mulheres ricas que, para viverem no luxo, estimulavam seus maridos a explorar os fracos (4,2-3); os que roubavam e exploravam e depois iam ao santuário rezar, pagar dízimo, dar esmolas para aplacar a própria consciência (4,4-12; 5,21-27); os juízes que julgavam de acordo com o dinheiro que recebiam dos subornos (5,10-13); os comerciantes ladrões e os «atravessadores» sem escrúpulo que deixavam os pobres sem possibilidades de comprar e vender as mercadorias por preço justo (8,4-8).

2.    Espiritualidade e Compromisso Social - Fundamentação

A)    ESPIRITUALIDADE

w    Tem a ver com o Espírito Santo;

w    Existe no carisma pessoal de uma testemunha do Amor de Deus aos homens (como foram: Elias e Eliseu– 2Rs 2,9; João Batista – Lc 1,17);

‘’ Depois que passaram o rio, Elias disse a Eliseu: “Peça o que você quiser, antes que eu seja arrebatado da sua presença”. Eliseu lhe pediu: “Deixe-me como herança dupla porção do seu espírito”. 2Rs 2,9

“Caminhará à frente deles, com o espírito e o poder de Elias, a fim de converter os corações dos pais aos filhos e aos rebeldes à sabedoria  dos justos, preparando para o Senhor um povo bem disposto”. Lc 1,17
 

w    Inculturação da fé no meio humano e na sua história (pela Teologia – na verdade revelada; pela Liturgia – na oração);

w    Presente na tradição viva da oração cristã, como pura e única luz do Espírito Santo;

w    Na família cristã (Igreja Doméstica) que é o primeiro lugar da educação para a oração, e onde os filhos de Deus aprendem a orar “na Igreja” e a perseverar na oração;

w    Chega a nós, pela formação para a oração, ajudada por:

a)      Ministros Ordenados

b)      Religiosos Consagrados;

c)      Catequese (de crianças, dos jovens e de adultos); e

d)      Grupos de Oração.

“O Espírito Santo dá a certos fiéis dons de sabedoria, de fé e discernimento em vista do bem comum que é a oração (direção espiritual)” – cf. Catecismo da Igreja Católica, 2690



 B)    COMPROMISSO SOCIAL

ü    Para que se entenda o homem em seu “compromisso social” tem-se que analisar os seguintes aspectos: 1) homem ser social – dignidade e liberdade; 2) bem comum; 3) caridade; 4) comunidade humana.

b.1.    Homem Social – Dignidade e Liberdade

w    A dignidade do homem verdadeiramente livre  não se deixa enclausurar nos valores do mundo(*), particularmente nos “bens materiais”, mas que, como ser espiritual que é, se liberte da escravidão e vá mais além até o plano superior das relações pessoais, onde se encontre consigo e com os demais.
 

(*) “Está escrito  : Não é só de pão que vive o ser humano, mas de toda palavra que sai da boca de Deus ”.Mt 4,4 , Lc 4, 4 e Dt 8,3


w    A dignidade dos homens se realiza aqui, no amor fraterno, entendido com toda a amplitude que o Evangelho lhe deu e que inclui o serviço mútuo, a aceitação e a promoção prática dos outros especialmente dos mais necessitados.  (Puebla, 324)

b.2.    Bem Comum

w    Bem comum é o fundamento da convivência humana, que consiste na realização cada vez mais fraterna da dignidade comum, e exige que não se instrumentalizem uns em favor de outros e que todos estejam dispostos a sacrificar até os seus bens particulares.

w    Toda a vida humana merece por si mesma, em qualquer circunstância, sua dignificação, pois toda convivência tem que se amparar no bem comum. Qualquer homem ou mulher, por mais insignificantes que pareçam, têm em si a nobreza inviolável que eles próprios e os demais devem respeitar e fazer respeitar incondicionalmente.

Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não abuseis, porém, da liberdade, usando-a como pretexto para servirdes à carne. Ao contrário, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade. Pois toda a lei se encerra numa só palavra: Amarás teu próximo como a ti mesmo. (Gl 5, 13-14)

b.3.    Caridade

w   

“No presente permanecem estas três: fé, esperança e caridade; delas, porém, a mais excelente é a caridade” (1Cor 13,13)

 
Os cristãos devem exercer o apostolado na fé, esperança e caridade – que são virtudes “teologais” (relacionadas a Deus) que o Espírito Santo derrama sobre todos os membros da Igreja;


w    Caridade – é o maior mandamento do Senhor, e por ele todos os cristãos são instados a promoverem a glória de Deus pelo advento do Seu reino e conseguirem a vida eterna em favor de todos os homens: para que conheçam o único Deus verdadeiro e aquele a quem enviou, Jesus Cristo (cf. Jo 17,3);

w    Na primeira Carta de João está escrito: “Caríssimos amemo-nos uns aos outros, pois a caridade é de Deus, e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama na conhece a Deus; pois Deus é amor (1 Jo 4,7-8).

É amando que você aprende o que é amor; amando você chega a conhecer a Deus.


b.4.    Comunidade Humana

w    É aquela que forma uma só família (filhos de Deus) onde a caridade é o máximo mandamento, onde todos devem promover o bem comum, respeitando a dignidade da pessoa humana no “outro eu” (mesmo que seja adversário ou inimigo);

w    Nela deve ser reconhecida a igualdade essencial entre todos, superando a ética do individualismo, considerando como dever principal as sadias relações sociais;

w    Deus não criou o homem para viver isoladamente, mas para formar uma união social. Assim não os santifica e salva individualmente, mas os reune em Seu povo.

   1. w    Não deve haver ingerência da Igreja no âmbito da administração pública, intrometendo-se em política partidária;

w    Cabe a Igreja – na sua Missão Evangelizadora e Pastoral - chamar a atenção para os princípios éticos pelos quais os fiéis possam orientar-se e participar da vida política, diferenciando as diversas propostas das políticas públicas apresentadas por candidatos e partidos, condizentes com as reais necessidades e anseios da população;

w   

O povo elege gestores públicos para os poderes legislativo e executivo, outorgando-lhes a responsabilidade pela administração e bem comum.
A nossa Democracia é Representativa

 


w     O cidadão através do voto deve exercer o seu DIREITO, elegendo candidatos honestos e competentes, após formar a sua opinião e fazer a sua escolha de modo livre, consciente e responsável.

w     A Igreja deseja uma Democracia Participativa

O Poder Político emana do Povo e para o Povo. Os cidadãos devem participar do planejamento, e do controle social para que as políticas públicas defendam os direitos humanos e promovam o bem comum – valorizando os mais necessitados e para que tenham oportunidades na vida.



w     Os cristãos devem ter Consciência Cidadã, através dos seguintes aspectos em especial:

ü       Motivação dos Candidatos

a.   Verdadeiras Motivações – dos candidatos, são orientadas por critérios éticos da honestidade e competência administrativa e compromisso social. Há zelo pela coisa pública, transparência, não permitindo a promiscuidade do bem público.

b.    Falsas Motivações

w        Sintomas de despreparo e improvisação dos candidatos;

w        Interesses particulares, onde corre dinheiro exigido de “grandões da política”;

w        Pedem e distribuem favores – pagando luz, água, distribuindo feiras, tijolos, cimentos, telhas, remédios, etc.;

w        Acostumam mal o povo simples, reproduzindo o esquema de corrupção ao invés de construção de políticas públicas.

 

ü       Critérios para Escolha do(s) Candidato(s)

¨       Honestidade;

¨       História Política cumprindo compromissos voltados a inclusão social (De onde vem ele? O que faz e que realizou em prol da comunidade?);

¨       Compromisso social dentro dos aspectos cristãos – interesse pelo bem comum e desapego aos bens individuais (dinheiro, altos cargos, carros, casas, etc.), através de propostas de políticas públicas que defendem e promovem a dignidade da vida humana, assumindo interesses do desenvolvimento humano, econômico e com justiça social das comunidades, e não só de grupos de pessoas favorecidas e privilegiadas;

¨        Político vocacionado – para o atendimento as políticas públicas e para o bem dos irmãos (“caridade”);

¨       Não ser um “político profissional” voltado para interesses pessoais e/ou interesses corporativos;

¨       Não promover a compra de votos com:

-   Distribuição de favores (dinheiro, emprego, consultas médicas, etc.);

-   Distribuição de bens materiais (feiras, tijolos, cimento, sapatos, roupas,etc);

-   Distribuição de cargos/empregos públicos.

ü        Conhecer os Candidatos

¨       Ele tem prepostas vinculadas a ideologias partidárias ou a interesses de grupos e não a interesse comum?

¨       O candidato é serviçal ou é um oportunista?

                    ¨       Cumpre o que promete?

¨       Ele dá um testemunho de boa conduta familiar e profissional/

¨       Está vinculado a fatos de corrupção quando no exercício de cargos públicos?

¨       Quais as suas verdadeiras propostas?

 

3.    Conclusões – Direito tem, quem direito anda

w    Valorize o seu voto. Informe-se sobre os candidatos e sobre os partidos;

w    Vender voto recebendo: favores, dinheiro, feira, roupas, calçados, passagens - além de falta de dignidade de verdadeiro cidadão, você está vendendo a sua consciência, sendo um corrupto passivo (já que o corrupto ativo é o candidato que assim age), participando de um  Crime Eleitoral;

w    Devemos ser construtores de uma sociedade mais espiritualizada e digna na fé do Cristo, pelo nosso exemplo de cidadão que é honesto na escolha e na forma de participar de processo político, votando livremente, sem amarras aos corruptos e corruptores políticos;

w    Os eleitores são co-responsáveis pela qualidade dos candidatos eleitos, e que vão ser gestores dos Poderes legislativo e Executivo de nossa cidade;

w    Observe-se ainda o que diz glossário existente na Bíblia Pastoral da Paulus :

a)      O Líder é a pessoa sensível aos problemas e anseios do povo. Sua função é interpretar e dar organicidade a essas aspirações, ajudando o povo a tornar-se consciente e a organizar-se para resolver eficazmente os seus problemas. O papel do líder acaba quando o povo alcança os seus objetivos;

b)      O poder e a autoridade pertencem legitima e unicamente a Deus. Os homens os exercem de modo visível e passageiro, para servir ao bem comum, interpretando os anseios do povo (conforme Dt 17, 14-20). Pelo fato de supor diferenças quando exercidas pelos homens devem estar a serviço do bem comum; caso contrário, descamba para a dominação e opressão. No seu projeto, Deus quer que as mediações do poder devam desaparecer pouco a pouco para dar lugar à fraternidade, onde todos participem das decisões dirigidas a sociedade.

w    "Quem quiser ser o primeiro, que seja servo de todos" (Mc 9,35). É o recado que se deve mandar para os que se elegerão este ano de 2004: "Lembrem-se de que estão num determinado cargo não para dele se servirem em seu proveito pessoal ou seus grupos, mas para servir aos interesses da comunidade, principalmente dos mais necessitados".

w    O exercício da cidadania não se restringe ao momento do voto, mas deve continuar no decorrer do exercício do mandato dos eleitos, acompanhando e fiscalizando seus atos. "Contrariamente aos que não acreditam no valor do voto, por estarem desiludidos com os políticos, é preciso não esquecer de que é pelo voto consciente e comprometido que as mudanças são possíveis, a começar pelo município".

w    Como diz Dom Aldo Pagotto ao final de sua carta ELEIÇÕES 2004 – Orientações da Arquidiocese da Paraíba para a Participação do Povo de Deus nas Eleições e Políticas Públicas: “ devemos agradecer a Deus pelos que se esforçam em mudar a situação do pais, comprometendo-se em participar da construção da civilização do amor, da justiça e da paz. A Política é uma forma privilegiada da prática do amor e caridade para com o próximo. Pedimos ao Pai que nos abençoe e nessa missão confiada para construirmos solidariamente um mundo bem melhor!

(*) Membro da Pastoral da Liturgia

Paróquia do Sagrado Coração de Jesus

Mandacaru  - João Pessoa-PB


 

C)    O POVO DE DEUS NAS ELEIÇÕES E POLÍTICAS PÚBLICAS

) 4-8: Agora os comerciantes são duramente criticados: também eles se enriquecem graças à fraude e à exploração sistemática contra os pobres. Esses ricaços freqüentam o santuário e não faltam a festas religiosas; porém, mesmo quando estão rezando, ficam a maquinar o que poderão fazer para ter mais lucro.