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Exploração da Imoralidade PDF Imprimir E-mail
Escrito por D. Eugenio de Araújo Sales   

Mensagem do Cardeal D. Eugenio de Araújo Sales

Arcebispo Emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro

30/1/2004


 Natal e o litoral norte-riograndense gozam de uma posição privilegiada em matéria de turismo. Semanalmente, chegam ao Aeroporto Internacional Augusto Severo, Natal, uma média de 7 a 12 vôos charters. Ao lado de grandes vantagens surgem problemas, especialmente o do turismo sexual. Em contrapartida há também uma benéfica reação. // Há dois anos, um hotel colocou um cartaz na recepção, tomando posição contrária a esse abuso. Após um ano, outros nove assumem a mesma posição, ainda que possa trazer prejuízos financeiros. // Tenho em mãos, com data de 30 de agosto de 2001 o “Código de conduta do turismo contra a exploração sexual infanto-juvenil” publicado em português, inglês, espanhol, italiano, francês e alemão. Iniciativa da comunidade potiguar com o objetivo de estabelecer e aplicar medidas jurídicas e administrativas para prevenir e erradicar o turismo sexual. // Mesmo sem obter os resultados desejados revela o surgimento de uma mentalidade benéfica.//

 Em 1985, a Organização Mundial de Turismo – OMT, elaborou a “Carta de Turismo e Código do Turista”. //Organizações Governamentais, Não-Governamentais e representantes do setor tinham por objetivo, ao elaborar esse documento, evitar a utilização do turismo na exploração da prostituição. // As diretrizes do Governo do Brasil são claras: denunciar e condenar o turismo sexual, principalmente no que afeta a infância. Aliás, por violar o Artigo 34 da Convenção das Nações Unidas, sobre os Direitos da Criança, de 1989, requer enérgica ação jurídica.

Os resultados são pobres. O Código de Conduta publicado em Natal e que ora comento, trata largamente do problema e contém medidas bem elaboradas e eficazes, se devidamente aplicadas. // Deixa-me a impressão bem favorável da retidão de suas propostas e, sem dúvida, não têm faltado esforços para alcançar os efeitos propostos. //

 Meu intuito é apoiar e estimular o esforço, mesmo que escasseiem os resultados positivos. A Imprensa do Rio tem trazido farto e variado noticiário sobre os abusos. Recentemente denunciou a venda de cartões postais, uma série de 16 cartões com forte apelo sexual. Uma autoridade no campo do turismo reconhece “que os postais estão na contramão das campanhas publicitárias feitas no Brasil e no Exterior, nos últimos anos, para divulgar o Rio de Janeiro. Há mais de uma década as campanhas institucionais deixaram de vender a Cidade, por exemplo, através de imagens de mulatas seminuas sambando”.

 Esse clima de exaltação do instinto sexual tem como uma de suas conseqüências a destruição do senso de moralidade, crescimento da violência, aumento do tráfico de drogas, o roubo para obter recursos na aquisição de estupefacientes. E assim por diante.

 O Carnaval que se aproxima promete ser um dos principais fatores de degenerescência de ricos e pobres. A pretexto de turismo e – pasmem! – de arte, esmeram-se na divulgação mundo afora de uma imagem negativa de nossas cidades. Cada vez se diminui o que há de nobre, na alegria do povo, exaltação das tradições legítimas, substituídas também pelo esforço em atingir a Igreja e seus ensinamentos. Recordo-me bem que, durante vários qüinqüênios seguidos, nesta época do ano, após o Carnaval, encontrava-me em Roma, participando de Plenárias de um organismo da Cúria Romana. Sempre havia o questionamento: como se explicava a divulgação de tanta provocação sexual? Eu sempre respondia que era verdade o que viam, mas havia também valores. E, o que é importante, havia um outro “Carnaval” absolutamente desconhecido. Causava profunda surpresa aos interlocutores saber que, a poucos quilômetros do centro do Carnaval nudista, havia um número elevado – milhares – de fiéis, principalmente jovens, participando do retiro espiritual, de sábado a terça-feira. // Tinha início pela manhã e terminava ao anoitecer. // Era realizado com profunda seriedade e grandes resultados. Além deste, havia muitos outros nas paróquias, contrabalançando, até certo ponto, evidentemente, com o que há de negativo no Carnaval nudista. // O número de turistas que chegavam ao Rio para o Carnaval não era superior ao dos cariocas que deixavam a Cidade nos mesmos dias.//

 A Imprensa local divulga um farto noticiário sobre o Carnaval. Tudo indica que este ano haverá um avanço em matéria de imoralidade. Assim, um carro “abre-alas” levará duas esculturas de cinco metros, cujas personagens simulam um ato sexual, com diversos pormenores. Proclama-se que a intenção de alguns é ser polêmico. Aliás, essa atitude se repete com freqüência, e não só no Carnaval. Basta verificar a constante utilização indevida da imagem do Cristo Corcovado, outros atos religiosos em um desfile de Escolas de Samba, profanando o sagrado a pretexto de denunciar a pobreza, ou exaltar a religiosidade em meio ao pecado. Na Zona Sul, todos os anos, Jesus é ridicularizado por pequeno grupo que se torna conhecido apenas por encontrar abrigo na Imprensa.

 A 11 de janeiro, em Natal, apesar da posição contrária ao turismo sexual, leio em um diário local, matéria com o seguinte texto: “As opiniões dos turistas estrangeiros que estão visitando as praias urbanas, principalmente Ponta Negra, não são nada agradáveis para o setor que depende deste fluxo ininterrupto, contínuo (...). Esta situação não incomoda só os turistas escandinavos, incomoda os turistas nacionais, regionais, os moradores e os empresários”.

 Minha conclusão não é pessimista. Há sinais de reação. No entanto, forte é a arregimentação de grupos amorais, inteligentes e com recursos dos que contrariam os caminhos de Deus.

 Responsáveis somos todos nós: as autoridades, os figurantes, os promotores, a sociedade, enfim... Toda essa massa contrária a Cristo sempre existiu. Toda ela passou: converteu-se, ou simplesmente, morreu. Cristo será vitorioso. Contudo, nós responderemos por uma parcela que bem poderia abreviar o domínio do Mal.


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