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JESUS CRISTO POP STAR PDF Imprimir E-mail
Escrito por Breno Alves   

Cabelos revoltos no ar, roupa de couro apertada no corpo esbelto, o cantor de heavy metal atira o microfone no chão e grita a plenos pulmões um refrão impronunciável. As mãos, elétricas, repetem o chifre do diabo rumo à platéia frenética. Depois, munido de uma imensa mangueira de bombeiro, simula urinar em pleno palco, os olhos vidrados em transe. O show termina e uma sucessão interminável de fãs se espreme à saída, tentando tocar, mesmo que de leve, o corpo dos integrantes da banda. Mulheres insandecidas, seios à mostra, comprimem seus corpos à limusine que avança devagar no desvario da multidão. O mesmo cantor abraça a namorada de microvestido transparente, exageradamente maquiada. Chegam a uma boate onde, na ferveção da pista de dança, várias pessoas de cruzam e se tocam com extrema sensualidade. Uma mulher de olhos salientes se aproxima do roqueiro e de sua namorada e os convida, não sem um olhar de malícia, a experimentar novas formas de prazer...

O filme na TV me fez espantar o sono com uma explosão de reflexões inesperadas, vindas numa mescla de surpresa e desapontamento. Da experiência como jovem católico numa época em que sexo, bebedeiras e orgias são palavras fáceis na boca dos adolescentes, veio-me à mente, de pronto, a constatação da dificuldade de se encontrar diversão sadia e evangelização profunda em meio à enxurrada de emoções fáceis e curtições superficiais em voga nos lugares da moda. Ou ainda, imagino a que limite chegará a juventude da qual faço parte, nessa voltagem cada vez mais crescente de rebeldia e libertinagem tão comum nessa nossa época. Nesse caminho sem volta onde se misturam mensagens de morte e desilução, solidão e decadência, penso na cegueira que nos toma a nós, jovens, nesse momento de tantas penumbras e pouca luz. Penso, também, em quantas situações de sexo, nas mais ousadas variações eróticas existentes, os jovens de hoje experimentam sob a desculpa inaceitável de autodescoberta. Penso, ainda, no sem-número de substâncias tóxicas que meus contemporâneos tomam, do baseado ao esterco de cavalo, iludidos pela promessa de liberdade sem fim que se acaba nos sintomas de depressão e angústia. Tão desorientados, desnorteados, cada vez menos preparados a enfrentar a vida tão abertamente e que, por isso, se fazem esconder na escuridão do pecado. Imagino-me (por que não?) sob o contato visceral com tantas e tão sutis situações de erro que me fazem, pelo silêncio e pelo comodismo, ser uma espécie de cúmplice dessas deturpações. Imagino e me assusto, os olhos fixos na TV, a mostrar, de forma nua e crua, no que nos transformamos e no que vamos nos transformar nessa loucura crescente. Um gosto amargo de responsabilidade me corta a boca...

Saber de tantas e tão degradantes situações de pecado me faz perceber a importância de dar vazão ao Cristo que já me conquistou e que me intima a se fazer conhecer no meio dos jovens. Indago, olhando para minha história, quantas vezes saí de mim, da minha redoma de falsa piedade e santidade, e fui ao drogado, ao homossexual, à adolescente que aborta, ao preso, ao jovem que, sutilmente, abusa da liberdade e se enforca com ela. E vejo que foram bem poucas, insuficientes para tirar de mim essa nódoa de timidez e egoísmo. Como numa imensa arena, vejo a juventude cristã se digladiar, hoje, com a centralização em si mesmos e se esquecer da imensa platéia de excluídos da Graça, jovens como nós, a se afundar no vazio em que mergulham suas vidas e a assistir à nossa confusão, impedidos de se voltarem para nós pelo imenso vidro fosco da nossa covardia. A distância que nos separa é a que deveria nos juntar, a fim de fazer concreta a Verdade que é Cristo no coração daqueles que precisam.

Não me resta outra opção a não ser rogar a Cristo que use de Sua Misericórdia, de Seu Corpo e Sangue, para nos erguer da nossa falta de caridade e sairmos ao encontro daquele que anseia por ver a luz. Que ele reforce em nós uma voz como a saída de um alto-faltante, a fim de propagar o Evangelho, sob inspiração do Espírito Santo, aonde Cristo não chegou: baladas, praias, lan-houses, shows de rock, redutos de homossexuais ou onde quer que a vista de Deus aviste um necessitado de amor. Quero, pois, fazer valer a condição de cristão e reafirmar as promessas por mim a Jesus e as feitas por Ele, a nosso favor, para que sejamos jovens com os jovens e para os jovens, sem desculpas, preconceitos ou medos mas, antes de tudo, inspirados pelo amor que nos é dado de graça.

Inflamado por Jesus que me ama e quer ser amado, vejo não mais um show de rock, mas uma imensa legião de jovens a se descobrirem numa comunhão de paz. Não mais a escuridão de uma casa de shows, mas a luz que emana dos vitrais da igreja. Tampouco, não mais o cabeludo a gritar e injuriar, mas a pequenina Hóstia no centro de um sacrário dourado, a irradiar a paz sem a necessidade de refrões com duplo sentido nem de situações de luxúria e, sim, a derramar a Graça no silêncio e na mansidão. Jesus, escondido no Pão, no meio dos jovens que cantam, louvam e se alegram, tão jovem quanto eles. Esses jovens todos, imagino (e creio!), condicionados e formados no amor, a se anularem tendo em vista o transbordamento de amor ao próximo, àquele que sofre, que se destrói. Sonho que se torna realidade pelo meu "sim", como o foram o de Abraão, Moisés, Maria Santíssima e dos santos...

... entusiasmado, desligo a TV e vou rezar o terço. Mais tarde talvez eu evangelize alguns jovens num chat de namoro...

BRENO GOMES FURTADO ALVES

Formação Jovem | Novembro de 2004

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