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Maria teve pecado como se afirma no protestantismo? PDF Imprimir E-mail
Escrito por Rafael Vitola Brodbeck   

Hoje triunfa a Santa Mãe de Deus e nossa! Caem os muros que nos separavam do Pai! A promessa de Deus, feita à serpente, é cumprida: “Porei ódio entre ti e a mulher...” (Gn 3,15) Sim, Satanás a odeia, porque não pôde tocá-la, eis que não foi permitido que Maria Santíssima fosse contaminada com a mancha do pecado original.


Como responder, entretanto, a todos aqueles que parecem ver nesse milagre uma contradição ao projeto de Cristo de salvar toda humanidade? Não entendendo o que é, na verdade, o dogma, proclamado pelo Bem-aventurado Pio IX, Papa, em 1854, a imensa maioria dos protestantes, atacam tal doutrina, chamando-a inconsistente e anti-bíblica.

Quanto a essa segunda afirmação (não ser bíblica), temos de abrir parêntese, para explicar que nossa Fé católica não é uma “religião da Bíblia”, como se poderia pensar. Deus mostrou Seu plano a homens santos e piedosos através dos tempos, completando Sua Revelação em Cristo, Seu próprio Filho, o Verbo feito carne (Jo 1,14), que enviou os Apóstolos a pregar tudo aquilo que Ele tinha ensinado (Mt 28,18-20) e ainda toda a verdade que lhes seria inspirada pelo Espírito Santo: “Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á toda as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito.” (Jo 14,26) Não falou Cristo que o Espírito recordaria todas as coisas que a Bíblia diz que Ele falava, mas tudo, até mesmo aquilo que não nos é dito pelos Evangelhos a respeito de Nosso Senhor: “Fez Jesus, na presença dos seus discípulos, ainda muitos outros milagres que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos, para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.” (Jo 20,30-31)

Aliás, a doutrina (falsa, evidentemente) que ensina que a verdade religiosa toda está na Bíblia é falaciosa. Lutero, o pai da Reforma Protestante, foi extremamente equivocado ao pregar o princípio da Sola Scriptura. Isso porque, se toda doutrina para ser verdadeira deve estar na Bíblia, onde nela está escrito tal princípio? Deve haver, pois do contrário, tal doutrina (de que toda a verdade está na Escritura) ou não é verdadeira, ou nem toda a doutrina está na Bíblia, o que mostra a contradição interna do aforisma.

Espantem-se alguns, mas ela não está presente nem explícita nem implicitamente na Bíblia!! Logo, o princípio protestante cai por água abaixo. E mais: a Escritura ensina de uma forma clara justamente o contrário do que afirmam os que crêem ser ela a única fonte da fé. “Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavras, seja por carta nossa.” (2Ts 2,15) Nem só na “carta”, i.e., na Bíblia, está o ensinamento apostólico e cristão, mas também nas palavras, naquilo que convencionou-se chamar “Tradição Apostólica”, ou “Tradição Oral”. Jesus nunca mandou que escrevessem nada, e sim que pregassem! Os Evangelhos, as Epístolas, os Atos dos Apóstolos, o Apocalipse são o resultado da pregação da Igreja e não o contrário! A Bíblia é filha da Igreja e não sua mãe! Isso é claramente crido quando averiguamos que o próprio cânon da Sagrada Escritura, ou seja, a lista dos livros que dela fazem parte, só foi definido muitos anos depois de a Igreja já estar organizada em todo o Império Romano... Foi a autoridade da Igreja Católica que disse, auxiliada infalivelmente pelo Espírito Santo, quais eram os livros corretos e quais não... Ora, esse cânon não deveria, aliás, estar na própria Bíblia, se a tese protestante fosse sustentável? Do contrário, foi a Igreja quem reconheceu a Bíblia como Palavra de Deus. Diz Santo Agostinho: “Eu não creria nos Evangelhos se não me levasse a isso a autoridade da Igreja Católica.”; e São Basílio Magno, que viveu entre os anos de 329 a 379, sendo um dos grandes escritores cristãos primitivos: “Sobre os dogmas e querigmas preservados pela Igreja, alguns de nós possuímos ensinamento escrito e outros recebemos da tradição dos Apóstolos, transmitidos pelo mistério. Com respeito à observância, ambos são da mesma força. Ninguém que seja versado mesmo um pouco no proceder eclesiástico, deverá contradizer qualquer um deles, em nada. Na verdade, se tentarmos rejeitar os costumes não escritos como não tendo grande autoridade, estaríamos inconscientemente danificando os Evangelhos em seus pontos vitais; ou, mais ainda, estaríamos reduzindo o querigma a uma única expressão” (O Espírito Santo, 27,36).

Ademais, dar à Escritura uma autoridade conferida por ela mesma é cair no erro, descrito por Aristóteles, chamado de petição de princípio. Não posso crer na Bíblia somente porque ela me manda crer, pois esse pode ser o mesmo argumento de um muçulmano para provar que o Corão está certo. Além do mais, só poderia obedecer o que a Bíblia manda se eu cresse nela. Inicia-se um círculo vicioso, a tal petição de princípio. A autoridade da Escritura vem da Igreja Católica, e a desta vem de Deus!

Logo, não é porque o dogma da Imaculada Conceição não está na Sagrada Escritura, de forma direta, que não se pode crer nele. O que não pode é estar o tal dogma frontalmente contra o conteúdo bíblico. E não está, como veremos mais adiante. Alguns objetam que sim, armam-se da perícope em que é descrito o Cântico de Maria, o Magnificat, onde a própria Virgem Santíssima, chama a Deus de “meu Salvador” (Lc 1,47). Para eles, respondemos com o restante desta meditação, ensinando-lhes o verdadeiro sentido do dogma comemorado hoje, e, desde já, transcrevemos o que São Pedro, príncipe dos Apóstolos e primeiro Papa, escrevia: “Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal.” (2Pe 1,20)

Fechando o parêntese, crido por mim como necessário nesses tempos de confusão teológica, em que parece que um novo “Concílio de Trento” deva ser convocado, voltemos ao assunto.

Do que trata, inicialmente, o conteúdo da formulação dogmática da Imaculada Conceição de Nossa Senhora? Como todo dogma, não é uma nova doutrina, revelada na proclamação daquele, pelo Espírito Santo. Não! A doutrina cristã, católica, foi totalmente revelada aos Apóstolos. A Revelação cessou com a morte do último deles, São João, por volta do ano 100, em Éfeso, Igreja da qual era Bispo. Embora revelada, não foi a doutrina completamente explicitada e totalmente entendida em seus mínimos detalhes, como bem explica o Venerável Cardeal Newman, ex-clérigo anglicano convertido ao seio da Igreja verdadeira, em sua magnífica obra “Essays on the development of the Christian Doctrine” (Ensaios sobre o desenvolvimento da Doutrina Cristã), infelizmente sem tradução recente para o português.

Feita essa consideração básica sobre os dogmas – para os leitores que não tenham a devida e tão necessária formação sobre o tema –, podemos dizer que Maria, segundo a proclamação de Pio IX, foi preservada do pecado original no momento de sua concepção. Por isso, chamamos de Imaculada Conceição. Ela o é desde aquele primeiro instante.

Os protestantes esbravejam dizendo: “Mas, Maria mesmo disse, no Magnificat, que seu espírito exultava de alegria em Deus, seu salvador! Se ela tem salvador, é porque tem pecado! Se ela tem pecado, com pode ser imaculada?” Nada mais errado do que atribuir à redenção feita por Cristo na cruz um conceito atrelado ao tempo e ao espaço... Se fosse assim, não poderíamos ser salvos hoje, pois o evento “salvação” está historicamente distante 2000 anos – ainda que a Santa Missa o atualize e o torne real e novamente presente.

Continuando a resposta à dúvida dos protestantes, podemos dizer que existem dois modos de salvar uma pessoa de um rio, por exemplo. Um deles é atirando-se a ele ou então lançando uma corda, um bote, o que seja: salvamos a pessoa depois de ela estar no rio. O outro modo, é impedindo que a pessoa caia no referido rio. Não se pode dizer, de maneira alguma, pelo menos não sem risco de darmos a nós mesmos um atestado de incapacidade intelectual, que a segunda maneira não é um verdadeiro e autêntico salvamento.

Nós fomos salvos já no rio, ou seja, no pecado. Maria, diferentemente, foi salva antes de cair no rio, antes de ser contaminada pelo pecado original, transmitido geração após geração devido ao erro inicial de Adão e Eva. Objetam os protestantes que nós, católicos, cremos que ela não foi salva por Cristo e que, por isso, estamos destruindo a universalidade da Redenção e as próprias palavras da Virgem no Magnificat, quando chamou a Deus de salvador. Estariam eles certos se sustentássemos que Maria foi preservada do pecado pelos seus próprios méritos, sem o concurso da graça, o que não é verdade, como já mostramos. Maria foi sim, salva. E nisso, estamos todos concordes. Todavia, foi salva antecipadamente, em previsão dos méritos de Cristo.

Sim, pois Deus, que está fora do tempo e é onisciente – tem conhecimento de tudo! – sabia que Jesus, o Verbo, iria morrer pelos nossos pecados, e pelos méritos advindos de Seu sacrifício vicário no Gólgota, e, por essa presciência, por essa previsão, salvou, por aqueles mesmos méritos de Nosso Senhor, a Santíssima Virgem, ainda antes de ela ser tocada pelo pecado original, de modo a restar imaculada. É difícil de compreender se queremos reduzir Deus às nossas idéias e tolher-lhe o poder, como fazem muito alguns teólogos protestantes da época da Reforma, seduzidos pelo espírito humanista e relativista reinante naquele tempo.

Eis o que diz o texto da Bula Ineffabilis, que definiu o dogma hoje comemorado: “A Santíssima Virgem Maria foi, no primeiro instante da sua concepção, por um único dom da graça e privilégio do Deus Altíssimo, em vistas dos méritos de Jesus Cristo, o Redentor do gênero humano, preservada isenta de toda a mancha do pecado original.” (DS 1641) Mais claro, impossível!

Dissemos antes que, mesmo que não se ache expresso na Sagrada Escritura semelhante ensinamento, a Bíblia o suporta. Tão bem disso sabe a Santa Igreja que, no Evangelho da liturgia desta solenidade, é narrado o episódio da anunciação do anjo São Gabriel a respeito da Encarnação do Verbo de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo. É nessa passagem, quando o arcanjo saúda a Virgem, que encontramos um forte argumento bíblico (se bem que ele não seja necessário após termos dito que a Revelação não está toda na Escritura, e sim na Tradição conforme interpretada pelo Magistério da Igreja Católica). Expressa-se o incorpóreo (é assim que os bizantinos chamam os anjos) pelas palavras “ave, cheia de graça” (v. 28) Tomemos o texto grego, idioma em que foi originalmente escrito por São Lucas o seu Evangelho, e veremos que a expressão que traduzimos por “cheia de graça” – e que costumamos repetir todos os dias na “Ave-Maria” – é muito mais precisa e rica, não encontrando semelhante em nossa língua pátria. O anjo, conforme o grego de Lucas, chama Maria de kecharitomêne, que significa não só “cheia de graça”, mas algo como “completa, totalmente cheia de graça a ponto de não restar nem um sinal de mancha”, “repleta da graça, sem lugar para o pecado.” Esse é o sentido da saudação do anjo, que, aliás, Maria não entendeu (v. 29). Ser agraciado é algo que ela entenderia, e por isso não faz sentido que tenha se posto a pensar no que seria a saudação, nem que seu coração se tenha perturbado, como segue o versículo. Se tal ocorreu é porque a notícia foi espantosa: Maria viu-se não só agraciada, mas totalmente cheia da graça, e com a nova de que não tinha espaço para o pecado, para o erro, para aquilo que a afastaria, naturalmente, de Deus.

Em Nossa Senhora, não há lugar para o pecado, não só porque ela se privou de cometer os pessoais – coisa que, com a ajuda da graça, é possível, segundo Santo Agostinho –, como também nem mesmo o pecado original, aquela mancha transmitida à toda a descendência adâmica, a tocou, enchendo de ódio a Satanás, “autor e princípio de todo pecado.”

É esse, aliás, o ensino dos Padres da Igreja – aqueles primeiros escritores cristãos, cheios de autoridade, santidade e ortodoxia, que atestavam o depósito da doutrina apostólica logo nos seus inícios, e, por isso mesmo, autorizados, hoje, a dirimir toda dúvida, eles que perto estavam de Cristo. Santo Éfrem, poeta sírio, chamado de “Harpa do Espírito Santo”, compositor de muitos cânticos da liturgia dos ritos siríaco, maronita, caldaico e mesmo bizantino e romano, já escrevia: “Vós e Vossa Mãe sois os únicos que são totalmente belos em todos os aspectos, pois em Vós, Ó Senhor não há mácula e em Vossa Mãe nenhuma mancha.”(Carm. Nisib.27) Outrossim, Santo Agostinho, o Doutor da Graça, advoga que todos são pecadores, “exceto a Santa Virgem Maria, a quem eu desejo, por causa da honra de Nosso Senhor, deixar inteiramente fora de questão quando se fala de pecado” (De natura et gratia 36,42)

Podem alguns, depois de tudo isso, ainda contrariar a posição da Santa Madre Igreja, e argumentar que Maria então não teve participação em sua salvação, pois foi escolhida desde antes, não só para ser imaculada, mas para ser a Mãe do Salvador. Tal tese, entretanto, não recebe a guarida da razão. Sim, Maria teve participação. Foi livre. Tanto que, no último verso do Evangelho de hoje, São Lucas nos recorda as palavras da Santa Mãe de Deus: “fiat mihi secundum verbum tuum.” “Faça-se em mim segundo a tua palavra.” (v. 38) É pelo conhecimento prévio da anuência de Maria, que Deus a escolhe de antemão. Desfaça-se o aparente paradoxo! Ele não diz seu “sim” a Deus porque Ele a escolheu e predestinou para isso, e sim Ele a escolheu e predestinou porque sabia, ciente de tudo que é, que Ela diria aquele “sim”. Para Deus, voltamos, não há tempo, Ele é eterno.

“Do antigo adversário nos veio a desgraça, mas do seio virginal da Filha de Sião germinou aquele que nos alimenta com o pão do céu e garante para todo o gênero humano a salvação e a paz. Em Maria, é-nos dada de novo a graça que por Eva tínhamos perdido. Em Maria, mãe de todos os seres humanos, a maternidade, livre do pecado e da morte, se abre para uma nova vida. Se grande era a nossa culpa, bem maior se apresenta a divina misericórdia em Jesus Cristo, nosso Salvador.”

Diz a Igreja que Maria Santíssima é já hoje aquela que nós um dia poderemos ser: livres do pecado, e no Paraíso de corpo e alma – após nossa ressurreição. Por essa razão, a ela se aplica o título de “ícone escatológico da Igreja”. Ícone é aquilo que representa alguma coisa, uma imagem. Escatológico porque se refere aos bens futuros, quando da vinda de Jesus para julgar os vivos e os mortos. Igreja que somos todos nós, incorporados a ela pelo batismo. Maria é hoje o que nós seremos um dia se perseverarmos na santidade. Quanto de ti anseia por essa vida santa? E os meios necessários para consegui-la têm sido utilizados? Roga a ela, porque é tua mãe, e pede auxílio para seres santo. Maria, que nem os protestantes conseguiram destruir, e que, em tempos de crise, ajuda a humanidade e a Cristandade contra os erros que ameaçam nossa Fé, imaculada como ela, há de, aos moldes de sua intervenção miraculosa na destruição da armada turca muçulmana nas águas de Lepanto – curiosamente na mesma data, séculos antes, do ataque ocidental ao poderio islâmico de Osama Bin Laden, no Afeganistão, 7 de outubro – interceder para que, na tua vida, sejas vencedor contra teus vícios, apoderando-te da virtude, com ela e São Paulo, clamar: “Mas, em todas essas coisas, somos mais que vencedores pela virtude daquele que nos amou.” (Rm 8,37)

Finalizo, convidando a todos, para que recitemos juntos a “Salve Rainha”, na língua da Igreja Ocidental. Saudemos a Santíssima Virgem, com o secular canto que a ela é entoado, após as Completas, na Liturgia das Horas, e que é especialmente querido por todos os que se colocam sob sua maternal proteção:

Salve Regina, Mater misericordiae. Vita, dulcedo, et spes nostra, salve. Ad te clamamus exsules filii Hevae. Ad te Suspiramus, gementes et flentes in hac lacrimarum valle. Eia ergo, Advocata nostra, illos tuos misericordes oculos ad nos converte. Et Iesum, benedictum fructum ventris tui, nobis post hoc exsilium ostende. O clemens, o pia, o dulcis Virgo Maria. Ora pro nobis, Sancta Dei Genetrix. Ut digni efficiamur promissionibus Christi.


* Rafael Vitola Brodbeck, 23, é bacharel em Direito pela Universidade Católica de Pelotas, pregador, evangelista, professor de doutrina católica, apologista e pesquisador em Teologia, História Eclesiástica e Liturgia. É membro do Movimento Regnum Christi, participa da Renovação Carismática Católica, e exerce seu apostolado principalmente através do Movimento de Emaús, na Diocese de Pelotas, RS.

"A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade" (1 Tim 3,15)

"Todo aquele que divide Jesus é um anti-cristo" (1 Jo 4,3)