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Não à clonagem humana PDF Imprimir E-mail
Escrito por Maria Clara Lucchetti Bingemer   

 A recente notícia de que a ONU ainda poderá esperar dois anos para se pronunciar sobre a clonagem humana reacende o  debate sobre a legitimidade ou não de experiências com embriões que permitam produzir a vida humana em laboratórios.  Neste particular, a atuação das religiões tem sido de fundamental importância.  Nesta última ocasião, foram os muçulmanos a tomar a palavra. Em nome da Organização da Conferência Islâmica (OCI), o Irã pediu dois anos de prazo para chegar a uma conclusão sobre este assunto polêmico que divide a opinião dos países membros da ONU. 

A Igreja Católica também não tem cessado de pronunciar-se sobre o tema, muitas vezes pela boca do próprio Papa.  Sempre mostrando preocupação e solicitude pela vigilância ética que deve haver sobre a pesquisa científica, embora insistindo em reafirmar sempre que fé e ciência não são incompatíveis,  a  Santa Sé tem feito duras críticas  ao anúncio de nascimentos de bebês clonados realizado por membros de seitas, considerando-os a expressão de uma ''mentalidade brutal''. O porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls, disse que este anúncio, sem prova alguma, ''despertou o ceticismo e a condenação moral de grande parte da comunidade científica internacional''. E continuou: ''O próprio anúncio é a expressão de uma mentalidade brutal, desprovida de qualquer consideração ética e humana''. A Igreja católica se mostrou sempre contrária à clonagem, tanto reprodutiva como terapêutica, destinada a obter órgãos para transplantes. O papa João Paulo II classificou por várias vezes a clonagem humana como ''moralmente inaceitável''.

Ao fazer isso, a Igreja não quer de forma alguma deter o avanço da ciência.  Deseja, no entanto, que a ciência esteja a serviço da vida e não seja um empecilho para que ela aconteça e se desenvolva plenamente.  Coerente com a fé na revelação das Sagradas Escrituras, a Igreja crê e proclama sua fé na criação divina do ser humano.

Criado à imagem e semelhança de Deus, o ser humano é, portanto, portador de enorme dignidade que a ninguém é lícito conspurcar.  Por isso, ao mesmo tempo em que acompanha com interesse e estímulo todo progresso científico que pode contribuir para uma melhoria na qualidade da vida  biológica dos seres humanos , a Igreja é coerente e cautelosa ao legitimar qualquer técnica de pesquisa científica e experimentos com embriões humanos que possam ferir essa sacralidade da vida criada por Deus. 

Com relação à dignidade da pessoa humana, é de se notar e classificar como ilícito todo tipo de clonagem que implique a criação ou a cisão do embrião, qualquer que seja a técnica adotada ou a finalidade perseguida, não sendo lícito fazer o mal nem mesmo para atingir um bem.

A não liceidade da clonação deriva da relação de dominação que se realiza sobre a corporeidade do sujeito clonado, da ausência do ato pessoal do amor procriador, tratando-se de reprodução assexual e agâmica, indo contra o desígnio amoroso de vida do Criador.  Somente a reprodução de células a partir de células tomadas e separadas de um indivíduo (procriado naturalmente e não clonado artificialmente), sem dano algum ao mesmo, deve ser considerada lícita para experimentos científicos. Na reprodução de fragmentos de DNA para obter igual resultado, não pode ser tomada nem como premissa nem como fim a clonagem de um ser humano. Se alguma dúvida nos restasse quanto à legitimidade da clonagem humana para aqueles que, como nós, professamos a fé cristã, este tempo que vivemos, antecedendo o Natal de Jesus Cristo, deveria ser particularmente inspirador.

O Deus Altíssimo e Todo poderoso não inventou métodos novos e inexplorados anteriormente para enviar Seu Filho Unigênito à aventura da Encarnação.  Mas serviu-se do ventre tão humano, feminino e natural, de carne e sangue, de Maria de Nazaré.  E assim realizou a redenção do gênero humano.  Se na plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho nascido de mulher,  que os cientistas humildemente continuem a explorar as potencialidades da ciência para ajudar a vida a poder crescer e desabrochar com saúde e força.  Mas que não pretendam arvorar-se a tomar o papel do Criador e, em seus tubos e retortas, programar raças novas e inventar vidas humanas,  desumanizando em verdade a vida já existente.

 

Disponibilizado no Amai-vos em Dezembro de 2003