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O dinheiro corrompe PDF Imprimir E-mail

Diz uma tradição muito antiga que Jesus nunca tocou em dinheiro. Claro que tal me parece pouco provável, uma vez que Jesus, depois da morte de seu pai José, ficou a tomar conta da oficina e teria que se cobrar dos trabalhos realizados, pois era assim que se sustentava a si mesmo e a Sua Mãe.

Noutra ocasião, pouco antes da multiplicação dos pães o Senhor vê aquela imensa multidão faminta e pergunta a um dos seus discípulos, quanto seria preciso para comprar pão para aquela gente toda. O Senhor sabia que precisavam de dinheiro.

Compreende-se a tradição popular, que não quer senão manifestar os perigos que corre quem manuseia o dinheiro.

Há o perigo de se «afeiçoar» a ele e como a personagem da peça de Molière “O Avarento”, «afagar» o dinheiro, meter as mãos nele com volúpia, chegando a preferir o dinheiro à família, à amizade, ao serviço aos outros, etc.

Mas eu, mesmo sem insistir em saber se Jesus tocou ou não alguma vez em dinheiro, posso afirmar que o Senhor conhecia-lhe o valor e os efeitos. Isso nos mostra o episódio da viúva que deu duas pequenas moedas de esmola, mas que era tudo o que tinha, em comparação com os ricos vaidosos que davam muito e faziam o possível por fazer tilintar o dinheiro para que todos soubessem que davam muito. O louvor foi para a viúva pobre; a reprovação para os ricos soberbos.

Será que o dinheiro corrompe mesmo? Eu não tenho dúvidas em afirmar que sim. Basta-me ouvir ou ler as notícias que todos os dias os meios de comunicação nos fazem chegar, para me convencer disso.

Políticos, magistrados, militares, comerciantes, industriais, empresários, administradores, se são da classe alta ou média alta, são os alvos preferenciais dos tentáculos venenosos do dinheiro. Ganham somas astronômicas, e quanto mais ganham nos seus empregos, mais ávidos ficam de dinheiro e daí as muitas fraudes que cometem para aumentar o seu patrimônio. Mas como «gato escondido com o rabo de fora» se vê facilmente, basta que haja vontade política e eles são descobertos, como ultimamente tem acontecido. Só que eu, ingenuamente, nunca pensei que fossem tantos (fora os que ainda não foram descobertos) e que as fraudes atingissem métodos tão sofisticados e valores tão exorbitantes.

A ganância de ter muito também corrompe os que pertencem à classe média baixa e assim nós somos confrontados com pessoas que de um momento para o outro, sem que lhes tenha saído um prêmio lotérico, apresentam sinais exteriores de riqueza, que muitas vezes os atraiçoam. Se uma pessoa, com família a seu cargo, ganha por mês pouco mais que 1000 euros, não pode de repente aparecer a viver numa moradia com piscina e guardar na garagem um carro topo de gama. É certo o ditado: “Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vem”…

Estas pessoas apanhadas na rede da corrupção têm a seu favor uma grande capacidade para mentir, tentando enganar, quer as autoridades, quer o grande público. Só que a nossa polícia, quando quer, até é muito eficiente. E se em alguns casos não o é deve-se à corrupção com que querem manietá-los. Não estou a dizer que a nossa polícia (portuguesa) é corrupta e se deixe subornar, mas por vezes aqueles a quem deviam deitar a mão são tão poderosos que conseguem escapar – tornam-se intocáveis.

Quando leio ou ouço que um desses corruptos foi apanhado, dois sentimentos se misturam em mim – um de pena: mais um ladrão; outro de satisfação: mais um que fica manietado.

Nestes crimes de «colarinho branco», como lhe chamam, penso que a Justiça devia ser muito célere e pesada. Que um pobre coitado, com família para sustentar, com um ordenado muito baixo, ou uma pensão de miséria, se deixe cair na tentação do suborno, ainda lhe dou atenuantes; agora quem já é rico, ainda o queira ser mais de modo ilícito, para mim não tem desculpas.

Há um modo de quem é rico, ficar ainda mais e de um modo honesto – é repartir com quem tem menos ou com quem não tem nada. Dar é mais rentável do que receber, só que os efeitos não são imediatos; é preciso passar a barreira da morte para ver os juros acumulados sobre o capital que foi dado.