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O ESSENCIAL É... PDF Imprimir E-mail
Escrito por Breno Alves   

 

“(...) E [o principezinho] voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.”
(SAINT-EXUPÉRY, Antoine. O Pequeno Príncipe. Tradução de D. Marcos Barbosa, 18. ed., 1975. p.  74)

Um dos grandes clássicos da literatura infantil mundial, O pequeno príncipe, escrito pelo aviador e combatente francês Antoine de Saint-Exupéry em fins da II Guerra Mundial, narra a história de um menino singular, portador de uma mensagem reveladora e envolvente. Morador de um minúsculo planeta chamado B-612, o jovem príncipe decide deixar sua casa em busca de amigos, de pessoas que pudessem suplantar sua solidão e a indiferença com que era tratado pela rosa vermelha, sua única companhia, cuja semente fora trazida pelo vento e germinara no seu astro. O livro percorre o itinerário dessa criança pelos planetas do firmamento, em busca do verdadeiro afeto e daquilo que ele considerava o essencial em sua vida – o amor, que viria a complementá-lo em plenitude e o permitiria viver a maravilhosa essência da comunhão. O significado do amor, travestido na experiência concreta da amizade, só seria descoberto pelo principezinho quando do encontro com a raposa no deserto, já aqui na Terra, a qual lhe revelaria seu segredo mais valioso: “só se vê bem com o coração”.


O livro é, em boa medida, não só fonte de riquezas para as crianças, mas para todos os que se dispuserem a desvendá-lo com um olhar mais atento. Os ensinamentos que ele revela são úteis, por exemplo, para o aconselhamento de tantos jovens que, hoje, apresentam inúmeras feridas na sua afetividade e mostram-se incapazes de assimilar a essência da caridade, fruto do encontro pessoal com Deus e com os irmãos. A raposa do livro nos fala de algo que nos é essencial, de uma descoberta que só pode ser feita pela voz do coração. Os nossos olhos não nos são necessários para enxergar essa verdade tão plena e rica de sugestões; apenas com a nossa entrega pessoal é possível desvendar esse algo que é tão caro a nós e que nos preenche por completo. O que é, afinal, essencial para nós, jovens de hoje?


A virtude do amor é, hoje, afastada de seu significado primordial, que nos foi revelado por Cristo na Cruz – o próprio exemplo de Seu esvaziamento, preenchendo-nos com a plenitude da caridade divina. Os jovens, ao contrário, aprendem, a cada dia, a mascarar o verdadeiro valor do amor por sinônimos que lhe retiram sua verdadeira razão de ser. A afetividade vivenciada pela juventude é profundamente marcada pelo materialismo, pela busca cega dos prazeres que apenas amenizam o profundo vazio deixado no coração pelos modismos. Os adolescentes afastam-se de sua vocação primeira – a vivência plena da afetividade e da sexualidade – em troca do gozo fácil e rápido proporcionado pela prática dos relacionamentos feridos, da masturbação, do sexo prematuro e das “ficadas”. O amor é desprezado; em seu lugar, entram as relações marcadas pelo descartável, pelo transitório, nas quais os jovens assimilam que a vivência afetiva é empecilho da felicidade tão almejada, a ser atingida pelo status e pela falsa liberdade.


A vivência espiritual é igualmente desprezada pelos jovens. Acostumando-se com os paliativos, os jovens esquecem o fundamental preceito do amor, enviado a nós por Deus, que é amor (cf. 1 Jo 4, 16). Jesus, que veio ao mundo para testemunhar o Pai de Amor, vivencia na própria carne a excelência da caridade, repassando à Igreja o fruto maior de Sua doação: a Eucaristia. Mergulhando no Corpo e Sangue de Jesus, aprendemos a ser amados e amantes, libertando-nos do pecado e aprofundando-nos no oceano infinito da misericórdia de Deus. Maria Santíssima, os apóstolos e os santos aprenderam a confiar amorosamente na ação salvífica da Trindade em suas vidas, pela vivência concreta do amor a Deus e ao próximo. O Papa Bento XVI, em sua encíclica Deus é amor, ensina-nos que a unificação do homem com Deus “não é confundir-se, um afundar no oceano anônimo do Divino; é unidade que cria amor, na qual ambos – Deus e o homem – permanecem eles mesmos mas tornando-se plenamente uma coisa só”. O jovem, desejando auto-afirmar-se, afasta-se de Deus em sinal de revolta e indignação; este afastamento acaba por descaracterizá-lo, retirar-lhe a personalidade. Somente em Deus é que o jovem descobre a verdadeira identidade e, conseqüentemente, a própria razão de sua existência, o que lhe suscita o amor. Nesse sentido, Santa Teresa de Lisieux afirma: “Com amor, não caminho apenas, ponho-me a voar...”.
A lição da raposa é um eco daquilo que o próprio Deus vem revelando ao homem na história da salvação. E que vem repetindo, hoje, no coração dos jovens desorientados e servos da alienação: “O que o homem vê não é o que importa: o homem vê a face, mas o Senhor olha o coração” (1Sm 16,7b). O Pai Eterno, que criou o universo inteiro com perfeição e ternura, escolheu o minúsculo coração do homem para fazer a sua morada predileta, regozijando-se em estar naqueles que ama. Deus sabe que a juventude busca desesperadamente o sentido da própria história e que faz dessa procura um meio de abrir-se ao novo que lhe chega, como o principezinho da história. Desejam os jovens experimentar o amor e dele extrair a suma felicidade, da mesma forma que o nosso nobre menino. E Cristo permite-lhes esta experiência, através da bela lição de Sua morte e ressurreição, fazendo-os descobrir que o amor é a chave para desvendar o mistério da vida e para encontrar, de maneira íntima e inesquecível, o seu Autor.


Perdendo-se nas suas inúmeras inquietações e desejos, que acabam por lhe desorientar, os jovens esquecem-se do essencial em suas vidas (e na vida de todos os homens, por fim): o amor de Deus, que se doa aberta e livremente para nós. Guardar esta verdade fundamental é a chave para a cura dos males que atingem a juventude, e o meio de ensiná-la a ter, enfim, a estatura de Cristo. O amor da Trindade, que é verdadeiro, acaba por trazer a verdadeira sexualidade, a verdadeira liberdade e a verdadeira paz. O Catecismo da Igreja Católica, ao caracterizar o Ser divino, define-O com clareza: “(...) o próprio ser de Deus é Amor. Ao enviar, na plenitude dos tempos, seu Filho único e o Espírito de Amor, Deus revela seu segredo mais íntimo: Ele mesmo é eternamente intercâmbio de amor: Pai, Filho e Espírito Santo, e destinou-nos a participar deste intercâmbio” (CIC, 221). Esse é o segredo do amor, revelado a nós não pela superficialidade dos “olhos”, mas com a profundidade e a delicadeza do “coração”.


 Cabe, pois, aos jovens o convite à perseverança no amor feito por Cristo: “Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu pai e persisto no seu amor” (Jo 15, 9-10). O amor, o autêntico e verdadeiro amor, trazido a nós por um Deus que é, Ele mesmo, o Amor em pessoa, ensina-nos a viver a alegria da confiança e da libertação da própria pequenez, levando-nos a abraçar o Eterno. O jovem, que anseia, antes de tudo, viver a plena liberdade, não pode esquecer-se do “essencial” – o Deus de Amor –, que é o sentido da sua existência e a chave para vivê-la integralmente.

 

BRENO GOMES FURTADO ALVES
Papo Jovem, Shalom Maná | Março de 2006
Contato: www.maranatha.myblog.com.br | Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
Os temas do Papo Jovem do ano de 2006 serão baseados no livro O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry