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Os encontros do Ressuscitado com os discípulos: características e atualidade permanente PDF Imprimir E-mail

A experiência de encontro pessoal com o Ressuscitado feita pelos primeiros discípulos pode e deve ser feita também por nós

Os encontros do Ressuscitado com os discípulos: características e atualidade permanente

A experiência dos encontros dos discípulos com o Ressuscitado que nos foi transmitida pelos textos evangélicos da tradição narrativa, mesmo sendo uma experiência absolutamente nova, está em continuidade com a experiência dos seu encontros com o Jesus pré-pascal, com o qual conviveram durante os anos da vida pública.. Foi essa experiência a que os moveu a deixar tudo: família, profissão e o lugar de residência, para segui-lo.

A conjugação dessas duas experiências é também constitutiva da fé dos cristãos das comunidades eclesiais posteriores. O critério de verificação da autenticidade da fé pessoal e comunitária de todos os discípulos de Jesus ao longo da história é a experiência feita pelos primeiros discípulos, quer nos seus encontros com o Jesus pré-pascal quer com o Senhor ressuscitado.

Também nós, portanto, para sermos discípulos de Jesus, precisamos fazer a experiência do encontro pessoal com o Jesus pré-pascal que anunciou a Boa Nova do Reino de Deus, que chamou discípulos para segui-lo, que “passou fazendo o bem a todos” (At 10,38), que amou com um amor de predileção os pecadores, os pobres, os doentes, os marginalizados; com o Jesus que nos amou até a morte, e morte de cruz. Mas para conhecer, amar e seguir o Jesus que viveu nossa vida e morreu nossa morte é igualmente necessário fazer a experiência do encontro pessoal com o Ressuscitado. Em outras palavras, para tornar-se discípulo de Jesus é necessário conhecer, amar e seguir o Jesus pré-pascal, cuja pessoa e missão nos são reveladas nas palavras e ações de sua vida, e é necessário conhecer o Jesus pós-pascal que se manifestou aos discípulos.

A experiência do encontro com o Ressuscitado na Igreja pós-pascal

O encontro com o Ressuscitado tem que ser de alguma maneira experimentado por todos os cristãos. Não basta refletir de maneira teórica e abstrata sobre a ressurreição, fazendo uma análise meramente conceitual sobre ela. “Quando não há uma experiência real e concreta que corresponda à fé na ressurreição então essa se torna, por abstração, uma verdade que podemos aceitar mesmo sem entendê-la, mas sem incidência sobre a vida” (C. Palácio).

Nós só temos acesso à nova forma de existência do Senhor ressuscitado conhecendo e experimentando o que os primeiros discípulos e as primeiras comunidades nos transmitiram nos relatos das aparições. Esses relatos, repetimos, não descrevem o acontecimento propriamente dito da ressurreição, entendido no sentido de um acontecimento objetivo, que pode ser verificado tomando distância com relação a ele. A realidade da ressurreição só é acessível a quem a experimenta. Como aconteceu nos seus encontros com os discípulos, também nós reconheceremos o Senhor pelas suas palavras, como o reconheceu Maria Madalena, e pelos seus gestos, como o reconheceram os discípulos de Emaús.

Santo Tomás diz que as aparições de Jesus ressuscitado não são provas da ressurreição, mas sinais da sua presença. Os relatos das manifestações do Senhor aos discípulos serão também sinais da sua presença salvífica para nós na medida em que acolhermos sua presença e aderirmos a ela. Se fizermos a experiência pascal do encontro com o Senhor, nossa vida também mudará radicalmente como mudou a dos discípulos; também nós passaremos a viver uma vida nova, uma vida ressuscitada; também nós passaremos a ver o mundo com olhos novos e a ter um comportamento novo. Depois de fazer a experiência do encontro pessoal com o Senhor, a vida toda: as coisas, os acontecimentos, as pessoas e o nosso relacionamento com elas terão um valor e um sentido novos.

O que o Evangelho de João afirma no prólogo: “O Verbo assumiu a nossa carne e acampou entre nós; e nós vimos a sua glória” (Jo 1,14), volta a ser afirmado nos relatos das aparições narradas nos dois últimos capítulos do mesmo Evangelho. O Verbo eterno de Deus que viveu nossa vida e morreu nossa morte é o mesmo Jesus que, depois de ressuscitar dentre os mortos, vai ao encontro dos discípulos e lhes dá a missão de proclamar a todas as nações o amor sem limites e eterno com que Deus ama a todos os seus filhos, amor que nos foi revelado da vida, morte e ressurreição do seu “Filho muito amado”. A ressurreição de Jesus “prova” que o desígnio salvífico de Deus, que nos foi revelado nas palavras e ações de sua vida, não terminou com a sua morte, mas foi realizado na sua plenitude pela sua descida à mansão dos mortos e pela sua ressurreição.

À guisa de conclusão

Da experiência à missão

Os primeiros discípulos, depois de reunidos de novo pelo Senhor, receberam dele a missão de dar testemunho de sua ressurreição, de comunicar aos outros o que viram e ouviram nos encontros com ele, de ir pelo mundo inteiro para reunir comunidades novas de discípulos, unidas todas elas pela mesma fé, pela mesma esperança e pelo mesmo amor. Também nós, depois de ter feito a experiência pessoal do encontro com ele, devemos partir para dar testemunho do que vimos e ouvimos.

Para dar testemunho do Senhor é necessário, portanto, ter feito primeiro a experiência de “ver” e “ouvir” o Senhor; é necessário ter experimentado, é necessário ter visto e ter ouvido com os olhos e os ouvidos da fé, que o amor, o poder e a glória de Deus se manifestaram em Jesus; no Jesus que, depois de ter sido crucificado, morto e sepultado, foi ressuscitado e exaltado pelo poder de Deus; é necessário crer que o Senhor ressuscitado que se manifestou aos discípulos é o mesmo Jesus que foi crucificado.

Quem fez uma verdadeira experiência de encontro com o Senhor, é sempre movido a dar testemunho dela. Dar testemunho da vida, morte e ressurreição do Senhor agora, no tempo pós-pascal, até sua vinda na parusia, é missão de todos os discípulos de Jesus.

Conhecer a experiência feita pelos primeiros discípulos para poder fazê-la também nós, como discípulos de Jesus no tempo da Igreja, é justamente a finalidade dos comentários que apresentamos neste livro, na forma de contemplação orante, das manifestações do Ressuscitado aos primeiros discípulos. Nos capítulos 4 a 9 comentamos os relatos das suas manifestações aos discípulos segundo João; no último capítulo, comentamos o relato segundo de Lucas, no fim do seu Evangelho e no início do livro dos Atos, da Ascensão do Senhor e da missão que dá aos discípulos de serem suas testemunhas “em Jerusalém, por toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1,8).

Fonte: Texto tirado do livro de Álvaro Barreiro, SJ, Manifestou-se assim - Encontros de Jesus ressuscitado com os discípulos, Edições Loyola / Amai-vos