Busca no Site

Interativos

Receba nossas novidades



Receber em HTML?

Enquete

Pessoas divorciadas devem ter acesso à Eucaristia?
 

Compartilhe este site

Faça um pedido de oração





  
Informe o código de segurança para confirmar:
 

Paixão de Cristo - Uma visão religiosa ou política? PDF Imprimir E-mail

Quando eu era pequena, as rádios, durante a Semana Santa, só tocavam músicas Sacras. Na sexta-feira, a Rádio Nacional transmitia a Paixão de Cristo, iniciando cedo e terminando ao meio-dia. Lembro como se fosse hoje: eu, pequena (uns oito anos), sentada no sofá, acompanhando atentamente os milagres, o sermão da montanha (tão lindo para mim!), Jesus multiplicando os pães...

Então chega a hora principal – meio-dia. Começa a narração da Paixão de Cristo. E aquela garotinha, que até então ficava tranqüila, esconde a cabeça na almofada e chora. Chora muito, pois sente, como se fosse nela, os pregos que ela ouve martelarem. Sente a angústia na voz de Jesus (já não era mais o ator) quando Ele grita - Abba Pai!

Passaram-se os anos, mas aquela visão da Paixão, do martírio, seguiu comigo e norteou minha preferência religiosa. Foi ali, diante daquele rádio, que eu encontrei Jesus. E eu, sem saber muito bem o porque daquela violência, percebi que Ele fez algo muito importante por mim. Depois veio a Catequese e eu fui conhecendo toda a história e descobrindo os porquês.

Hoje, ao olhar para a cruz, ainda sinto dentro do meu coração a dor que Jesus sentiu, ainda choro ao ouvir a narração de Paixão de Cristo. Na Missa do Domingo de Ramos, não consigo dizer “Crucifica-o” durante a narração do Evangelho.

Alguns devem estar se perguntando: o que tenho com isso? Por que esta introdução? O que isso tem a ver com o título acima? Posso dizer que tem tudo a ver. Fala-se muito na mídia sobre o filme do Mel Gibson.  É para ganhar dinheiro. É anti-semita. É violento. E eu pergunto: como crucificar alguém sem violência? Sem derramamento de sangue?

Quando criança, ou já adolescente, ao assistir aos filmes da Semana Santa, eu ficava pensando: como pode uma coroa de espinhos entrar na carne e não aparecer muito sangue, só umas gotinhas? E os pregos então? Será que não doem? Havia um consenso na época de apresentar a Paixão de Cristo sem muito sofrimento, enganosamente, sem muito sangue.

Não me interessa o que Mel Gibson pensou ao fazer o filme. O que importa é que a humanidade precisa sentir verdadeiramente o sofrimento de Cristo. Ele sofreu sim. Ele derramou, literalmente, o seu sangue. Ele teve suas carnes dilaceradas sim.

E é isso que a sociedade hipócrita, acostumada a ser tratada com mentiras, não suporta. Agora, ela está sendo obrigada a encarar a verdade nua e crua do sofrimento do Nosso Senhor Jesus Cristo e, pior, tem que aceitar que este sofrimento foi pelos pecados de todos nós, e que fomos nós que o crucificamos. Foram os fariseus que o empurraram para a cruz e não adianta ocultar a verdade, ela está aí para todos verem.

Antes, nos filmes antigos, não víamos a face de Jesus. Mas hoje, Ele vira seu rosto para nós e seu olhar se dirige para cada um; cada um sente a dor, a angústia e, acima de tudo, sente o amor com que é olhado.  E cabe a cada um, ao olhar para o rosto de Cristo, não se importar com a mídia que está explorando politicamente este filme mas, transformado, pedir a Jesus a sua conversão, para que através do amor possa dar continuidade a sua Missão, que é trazer a paz e a justiça à humanidade.

Em tempo, não vou assistir ao filme, pois aquela menininha de oito anos, ainda mora dentro de mim.