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Presença crítica da Palavra de Deus PDF Imprimir E-mail
      No tempo pascal a Igreja procura ouvir o seu Senhor ressuscitado que mostra, o valor das escrituras nas quais está definido o desígnio de Deus a respeito da vida humana.
      O texto do evangelho de Lucas 24,35-48, em particular, nos apresenta Jesus ressuscitado, que encontra os seus, explica-lhes as escrituras e os envia como testemunhas.
      O que a leitura de hoje descreve,  renova-se em cada eucaristia para os fiéis. Em primeiro lugar a presença de Cristo morto e ressuscitado. Depois do domingo da ressurreição, toda missa é páscoa: os cristãos se reúnem e Jesus aparece em seu meio; eles anunciam a sua morte, cujos sinais permanecem em suas mãos e em seus pés. Jesus, mediante a eucaristia, faz-nos tocar o seu corpo.
      Cristo está nas Escrituras e em suas testemunhas. A riqueza da liturgia enche de alegria o coração dos fiéis, sem todavia responder a todos os seus problemas. A familiaridade da refeição de comunhão fraterna com Cristo permite ultrapassar as dúvidas. Ao mesmo tempo, a sua palavra está presente mediante o evangelho, que dá sentido novo e atual aos antigos escritos bíblicos.
      Enfim, toda a liturgia é autenticada pela presença das testemunhas da ressurreição: os fiéis que celebram a eucaristia testemunham um ao outro a realidade da presença viva do Senhor. Cada domingo, os cristãos são enviados ao mundo para que ressoe a mensagem do dia de páscoa: “Disso nós somos testemunhas”.
      A liturgia dominical renova com insistência o convite para perscrutar com amor as riquezas do mistério pascal que reassumem em si a obra da criação e da salvação, a realidade do homem e, em certo sentido, toda a revelação de Deus. Na sua unidade tão simples, contêm profundidade inexaurível.
      Os textos deste terceiro domingo da Páscoa insistem sobre temas estreitamente conexos com o mistério pascal: a necessidade da conversão para a salvação, a força de intercessão de Jesus por nós pecadores, o anúncio da remissão dos pecados.
      A comunidade cristã primitiva esforçou-se para reconhecer em Jesus, entregue pelos judeus à condenação à morte, aquele que as Escrituras anunciaram como justo oprimido, servo sofredor, messias humilde, o profeta rejeitado e o pequeno resto. O seu messianismo não é terreno, nacionalista, ideológico. Ele é o início do reino de Deus, o seu executivo, o que devia sofrer e morrer, como Pedro demonstrou ao dirigir-se ao povo. A ele e aos apóstolos foi confiado o anúncio pascal. A fonte da função de testemunhas da obra de Deus, da qual nasce a igreja, está no encontro com o ressuscitado. Não bastaram nem a longa convivência com Jesus, nem os milagres, nem o seu ensinamento que eram palavras de vida eterna, nem a ceia pascal, nem a cruz na qual também outros reconheceram a grandeza de Jesus, nem a visão do sepulcro vazio. Foi necessária a graça do contato com Jesus ressuscitado, que abre seus olhos para reconhecê-lo e o coração para confessá-lo, a fim de se tornarem verdadeiramente testemunhas.
      Os apóstolos são, portanto, homens que conheceram e experimentaram em si mesmos a opacidade profunda do coração e da mente humana, totalmente incapazes por si de reconhecer o mistério de Cristo. Isso não os impede de falar com toda franqueza e liberdade, mas os torna capazes também de compreensão e de amor que exclui todo julgamento. Pedro quer revelar o mistério do amor de Deus em Jesus. Nós, hoje, devemos anunciar a mesma mensagem que Jesus era mesmo o esperado, o dom de Deus, o sentido pleno, a última palavra de nossa vida e de nossa história.
      O convite à conversão é pois a conclusão imediata do anúncio, convite a acolher um dom já presente, já revelado e manifesto: Jesus, o seu perdão e o seu amor. Dom ao alcance de todo coração que com humildade reconhece a sua ignorância e o seu erro, e se converte, adquire a vida nova de Cristo.
      João nos diz, em sua carta, que se conhecemos verdadeiramente o Cristo com o pleno amor que implica a adesão vital a ele, poderemos observar seus mandamentos e não pecar mais. A obediência do discípulo é fruto do conhecimento que temos dele e o sinal de que nascemos de Deus. Quem nasceu de Deus é por ele guardado, não peca porque o maligno não o pode tocar. Então o amor de Deus é verdadeiramente perfeito.

      Cristo ressuscitado aparecendo aos apóstolos dissipa suas dúvidas, ilumina suas mentes, abre-os à compreensão das Escrituras, onde tudo fora predito; come com eles. Anuncia que, em seu nome, será pregada a conversão e o perdão dos pecados a todas as gentes, começando por Jerusalém.


 

Cardeal Geraldo M. Agnelo - Arcebispo de Salvador (BA)-Presidente da CNBB