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Celibato dos Sacerdotes
 

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PREZADO PADRE... PDF Imprimir E-mail
Escrito por Elbson do Carmo   

Prezado padre,

Francamente busquei ser tolerante quando V. Sa., manifestou de público o seu apreço e respeito pelas religiões “A e B”, respeito esse do qual compartilho, afinal as pessoas são livres em suas opções religiosas, e essas opções devem ser respeitadas, até porque vivemos num Estado laico, onde a liberdade religiosa é um direito. Entretanto, como ser tolerante diante do fato de V.Sa., por repetidas vezes, ter feito apologia a credos “A e B”, chegando ao ponto de fundir elementos desses  cultos em nossas Missas?

Desculpe, mas da mesma forma que os cultos “A e B” não mais precisam do sincretismo ou da mimetização para sobreviver à intolerância cristã de outrora, eles tem identidade própria, e certamente não precisam e nem querem ver num padre uma mea-culpa sob a forma de uma caricatura religiosa, manifesta num escândalo indigno do sacerdócio católico. Se  V. Sa., optou tardiamente pelo credo “A e B”, e está definitiva e irremediavelmente decidido por isso, direito seu. Espero apenas  que sejas corajoso e digno o suficiente para abandonar os confortos da casa paroquial, o soldo de sacerdote, o tempo livre, a projeção social e todas as demais facilidades que o fato de ser um sacerdote católico  lhe confere. Agora, se V. Sa., não está disposto a isso e deseja mesmo “morrer num altar”, por favor, não me force a entrar na Igreja com minha família e ter dúvidas se estou mesmo num templo católico. Não optei pelo credo “A e B”, optei pela fé católica, e é isso que espero encontrar na minha Igreja em toda sua expressão. A comunidade não é obrigada a aceitar a irreflexão e a irresponsabilidade de seu sacerdote, ninguém é padre para sí próprio.

Também busquei ser tolerante quando V.Sa., manifestou idéias bastante liberais quanto ao sexo, o matrimônio e a orientação ou opção sexual das pessoas. Na verdade cheguei a me sentir bastante confortável ao perceber  o quanto o meu padre era um homem de mente aberta, que estava disposto a ver essa questões de forma mais distendida e menos pragmática. Não concordei com todos os seus pontos de vista, afinal eles diferiam do que me ensina a Igreja em seu Catecismo, mas pelo menos, num primeiro momento, o sr. me mostrou que pode haver mais de uma ótica sobre esse tema. Mas como ser tolerante quando me chegam aos ouvidos as notícias de seus envolvimentos amorosos? Pior é o fato de perceber que V.Sa., não mais da-se ao trabalho de ocultar-se em suas preferências e práticas sexuais, ou seja, não teme escandalizar seus paroquianos, como se nos fosse obrigatória a aceitação de sua infidelidade.

Fracamente prezado padre, se V.Sa. não mais deseja ser referencial de excelência no que tange à moral, então o que mais  resta que justifique sua relevância enquanto pastor? O senhor me afirma ser um homem como qualquer outro, entretanto um homem como qualquer outro não serve ao papel de sacerdote, da mesma forma como nem todo homem ou mulher serve ao papel de pai, mãe, marido ou esposa. Pois da mesma forma que os filhos precisam do exemplo do pai e da mãe para que edifiquem-se como pessoas, do mesmo jeito, uma comunidade precisa do exemplo de seu  pastor. Ambos, padres e pais, ocupam lugares diversos na vida social é bem verdade, mas o fruto do testemunho de ambos se faz sentir em toda a comunidade. Portanto, nenhum dos dois pode nivelar-se por baixo.

Querido padre. Se eu, enquanto homem casado, sou obrigado até mesmo pelas leis civis a ser fiel ao meu voto matrimonial, como posso aceitar que o Sr., sob a alegação de ser um homem como qualquer outro, possa ser infiel aos seus votos publicamente e escandalizar de forma aberta a sua comunidade, se entre mim e o senhor, no que tange a nossas condições diante de Deus, temos em comum justamente um voto, voluntário e vitalício, de sermos fiéis por toda uma vida ao nosso compromisso?  Já estive a um passo de ser padre, e bem sei o quanto ser pai e marido é mais dificil. Se o senhor está mesmo decidido a ser simplesmente um homem como qualquer outro, sugiro que experimente faze-lo “do lado de cá”, verá que o mundo pouco ou nada reserva àqueles que desejam nivelar-se forma tão rasteira em seus compromissos.

Da mesma forma, querido padre, nada tenho contra homossexuais, bisexuais, heterosexuais ou pansexuais, mas francamente é inaceitável que qualquer pessoa busque esconder-se de sí próprio  sob a aura de respeitabilidade do sacerdócio, esse, além de ser o caminho dos covardes é certamente  a pavimentação da trilha de uma vida irrealizável. Ninguém é menos filho de Deus em função da sua opção sexual, mas não é criando um personagem, um espantalho, que se legitima a própria personalidade.

Busquei ser tolerante quando o Sr. manifestou  seus pontos de vista contra determinados dogmas da Igreja. Pensei comigo: “ele não está se opondo, apenas jogando novas luzes sobre um mesmo tema”. Mas essa minha tolerância durou pouco. Como ser tolerante quando a pregação do pastor difere de forma tão ampla da doutrina da Igreja Católica que ele representa? Francamente não compreendemos como pode ser possível que um jogador de determinado time fique a todo momento marcando gols para o time adversário. Qual a torcida organizada que deseja ter em suas fileiras um torcedor que a todo momento soterre o moral de sua torcida, que incite o ódio ao seu time do coração? Pelo menos a lógica sugere que nenhuma. Então é inaceitável que, no que tange à Igreja, seja diferente.

Como sedimentar verdadades que muitas vezes custaram a vida de tantos de nossos mártires quando sacerdotes como V.Sa. preferem transmitir suas impressões e crenças pessoais em substituição aos ensinamentos milenares da Igreja? Francamente desconheço quais foram as fontes nas quais o sr. baseou-se, mas sejam quais forem, se lhes foram tão sedutoras a ponto de modificar seus conceitos a respeito da fé que guiou sua vocação, então o que ainda o impulsiona? E mais, o que o motiva a ridicularizar a outros seus  colegas de sacerdócio que fazem da ortodoxia e da fidelidade à nossa doutrina uma bandeira? Como pode alguém perdido guiar a outros?


É algo a ser pensado sr. padre, pois se o senhor ao menos pensar no assunto e rever suas posições, teremos pelo menos a esperança de que provavelmente cada vez menos membros de nossa comunidade fiquem confusos e sem saber o que pensar a respeito de determinados assuntos, tendo a forte impressão de que estão numa religião onde cada pastor a formula como deseja. Ora padre, para isso tem-se o protestantismo, onde cada igrejola e cada pseudo-pastor interpreta a fé cristã  como deseja, e por conta disso, o protestantismo como um todo não se entende.

Busquei ser tolerante quando o procurei por muitas vezes na Igreja mas não o encontrei. Pensei comigo: “Ele deve estar ocupado demais com as coisas da paróquia”. Mas esse pensamento logo não encontrou sustentação já que pouco o via na sua própria paróquia. Várias vezes fui à sua procura simplesmente para confessar-me, mas o sr. estava sempre apressado, sempre havia algum compromisso urgente, ou era o horário da sua sesta, do seu jornal, da sua leitura, da sua música, do seu passeio. Eu sentia que eu sempre chegava num momento inoportuno, mas qual seria o momento oportuno? O Sr. fixou um horário e um dia para as confissões, o que foi bom, entretanto escutar a confissão dos seus paroquianos jamais foi uma prioridade já que o sr. faltava por conta de algum compromisso, ou escutava confissões em ritmo industrial, enfim, o sr. jamais teve tempo para dar um mínimo de atenção aos seus paroquianos, e nós, por sua vez passamos a nos sentir um estorvo para nosso padre.

Não tardou a que ex-paroquianos chegassem contando de como eram magnificamente recebidos e acolhidos em igrejas evangélicas. Contavam que o pseudo-pastor estava disponível nos horários marcados, e passava muito tempo disponível aos fiéis. Eles nos contavam que o dízimo não era o diferencial, já que devolviam o dízimo da mesma forma na sua paróquia quando eram católicos. Então por que o pseudo-pastor  sempre estava mais disponível que o padre?

É realmente difícil ser tolerante diante de sua ausência caro padre, pois muito embora o sr. não queira nos receber ou falar conosco, escutar nossos problemas e nos aconselhar, ainda assim precisamos da sua assistência, afinal o nome padre não significa justamente “pai”? O que se pode esperar de um pai?

Por fim caro padre, ainda incluo seu nome todos os dias nas minhas preces. Rezo pelo senhor e por    todos os padres do mundo. Eu ainda tento não internalizar a idéia de que um dos maiores problemas da igreja hoje reside no próprio clero. Tento pensar com sobriedade nas palavras do papa Bento XVI quando ele afirma: ‘‘Quanta imundície há na Igreja, mesmo entre aqueles que, no sacerdócio, deveriam pertencer inteiramente a Ele (Deus). Quanto orgulho, quanta auto-suficiência’’. (Na missa da Sexta-feira da Paixão de 2005). Tento não interpretar com excessiva severidade essas palavras do papa, mesmo diante da crueza da realidade que delineia-se diante de nós em relação ao senhor.

Continuarei rezando sempre pelo senhor caro padre,  mas tanto o senhor  quanto  eu, sabemos o que desejamos de um sacerdote. Ao contrário do que o senhor pensa, os ares da modernidade não modificaram aquilo que espera-se de um pastor, e nosso povo não está mais tolerando nada diferente. Ou o senhor torna-se o nosso pastor de verdade, ou simplesmente assume a irrelevância que tanto deseja, a irrelevância de “um homem como qualquer outro”. Saiba apenas que um sacerdote católico não tem o direito de ser medíocre.

Observação importante: Nosso texto não descreve uma situação específica, mas muitas situações em épocas e locais diferentes. Da mesma forma, o padre que aqui citamos corresponde infelizmente a muitos padres. Qualquer semelhança não é mera coincidência.