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Celibato dos Sacerdotes
 

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"QUEM É VOCÊ, JESUS?" PDF Imprimir E-mail

Muito se tem escrito sobre Jesus. Na verdade, Ele nunca deixou de ser tema para os mais variados tipos de literatura. Há os que o aceitam como Pessoa divina, o Filho de Deus que se encarnou para nos conduzir de volta ao Pai. E há, também, idéias e concepções das mais contraditórias sobre Ele, sem conteúdo científico ou histórico, mas que buscam escandalizar, para se tornarem sucesso na mídia. São caricaturas de Jesus.
De qualquer forma, tudo isso demonstra a definitiva importância da Pessoa de Jesus, dois mil anos depois de sua Encarnação. Persiste a mesma pergunta, que Ele fez aos Apóstolos, diante dos boatos que os contemporâneos disseminavam sobre sua identidade e missão: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15). Esta pergunta se dirige a cada um de nós, ainda hoje.
Para muitos, Jesus é uma procura, um eterno enigma, que quanto mais se busca, mais parece  esconder-se, quase respondendo ao que o profeta Isaías dizia: “Tu és o Deus escondido, o Deus de Israel, o Salvador” (Is 45,15). De fato, com os olhos e os sentidos humanos, não conseguimos abarcar o Cristo Jesus, pois sua transcendência nos escapa e desconcerta. Admiramo-nos dos milagres, da sublimidade da doutrina, do maravilhoso relato da Ressurreição, ficamos extasiados diante da Eucaristia, mas nada disto nos mostraria quem é Ele, se não fosse corroborado pela intuição da fé. Dizia Santo Agostinho: “Nosso coração está irrequieto até que descanse em Vós”, isto é, só depois de ter encontrado Jesus plenamente. Muitos não descobriram o sentido da vida, porque ainda não experimentaram esse encontro com o Jesus de Nazaré dos Evangelhos.
Pouco antes de morrer, minha mãe me relatava sua impressão de que, quanto mais se aproximava o momento do encontro definitivo com Jesus, mais Ele parecia se distanciar dela... Meditei muito sobre essa frase. Esta é a prova de fé última – a fé no seu auge, no seu ponto mais sublime, como descreveu São João da Cruz na sua “Noite Escura”, pela qual Deus purifica a alma. Posteriormente,  no dia do seu falecimento, as palavras dela foram bem outras: “Agora tudo está pronto no céu e me aguardam”. E foi citando nossos parentes já falecidos e, especialmente, Jesus com sua Mãe. Compreendi que Deus completara sua obra e o tempo de minha mãe havia chegado ao seu termo.
Quem é você, Jesus? Para responder a essa pergunta, é necessário deixarmo-nos interpelar por Ele: “Que procurais?” Os primeiros discípulos ainda não sabiam claramente. Assim, quiseram certificar-se de quem Ele era, formulando uma pergunta tímida: “Mestre, onde moras?” Ao que Ele respondeu, não com uma explicação, mas com um convite: “Vinde e vede” (cf. Jo 1,38-39). Somente a experiência do encontro pessoal nos assegura a verdadeira resposta.
Vamos destacar, brevemente, como reagiram a essa pergunta alguns personagens do Evangelho, começando pelo triste caso de Judas Iscariotes. Judas traiu Jesus porque não esperava que o Messias fosse Deus. Incapaz de aceitar o transcendente, ele procurava em Cristo, simplesmente, o sentido terreno: o homem cuja oratória arrastava multidões; seria o líder político-militar, capaz de deflagrar uma revolução para libertar Israel do jugo romano. Judas está entre aqueles que não conseguem reconhecer a divindade de Jesus. Entretanto, o Mestre anunciara, em diversas ocasiões, que esta não era a sua missão: “O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súditos, certamente, teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é deste mundo” (Jo 18,36).
Ao contrário de Judas, Maria Madalena enxergou, na figura daquele jovem da Galiléia, seu Divino Mestre, aquele que lhe podia até perdoar os pecados. Com o comovente gesto de lavar os pés de Jesus com as próprias lágrimas de arrependimento, enxugando-os com seu cabelos,  para depois ungi-los, ela reconheceu que ali estava o Senhor e Salvador do mundo (cf. Lc 7,37-38).
Havia, também, os medrosos, como Nicodemos. Era um homem sábio, mas temeroso e cheio de respeito humano. Tinha vergonha de ser visto como seguidor de Jesus. Por isso, foi aconselhar-se com Ele de noite. Convertendo-se, abraçou seus ensinamentos, acompanhou-o publicamente nos momentos finais, durante o enterro e, certamente, participou da comunidade primitiva.
João Evangelista foi aquele que melhor conheceu Jesus, depois de Nossa Senhora e de São José, assim nos parece. Aceitou, com disposição generosa, o convite do Senhor: “foi e viu”, conhecendo quem Ele era e qual o conteúdo de sua missão. Começou a segui-lO, provavelmente, ainda muito jovem. Acompanhou-O durante a realização dos milagres, na pregação pública, nos ensinamentos aos Apóstolos, até o doloroso momento da Paixão. Enquanto Pedro negou Jesus por três vezes, João esteve presente ao pé da cruz, sem penetrar o profundo sentido daquele mistério cruel.
Foi o único Apóstolo a testemunhar os últimos momentos do Senhor, sendo por Ele próprio encarregado de substituí-lO junto à sua Mãe, Maria Santíssima. E João assim o fez, recebendo-a em sua casa (cf. Jo 19,26-27). Depois da Ascensão, conviveu com Nossa Senhora, na casa de Éfeso. Lá deve ter recebido suas confidências, amparando-a na velhice e confortando-a na hora da morte. Seu afeto filial é modelo do afeto que todos devemos nutrir por essa Mãe de todos nós... por ser Mãe de Jesus, nosso Irmão.
São João viveu aproximadamente até à idade de 90 anos, em Efeso e depois exilado em Patmos, escrevendo o Evangelho teologicamente mais profundo, além de três cartas e o livro do Apocalipse. Abordou mistérios de Jesus como nenhum outro Evangelista: a reflexão teológica sobre a Eucaristia e a união entre as duas naturezas, humana e divina, na Pessoa do Verbo encarnado.
Entretanto, ele só confirmou sua fé em Jesus após a Ressurreição, conforme testemunha no Evangelho: “Então entrou também o discípulo que havia chegado primeiro ao sepulcro. Viu e creu. Em verdade, ainda não haviam entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos” (Jo 20,8-9). E dali para frente não teve mais dúvidas.
Quem é você Jesus? Na pluralidade de filosofias, religiões e ideologias do mundo atual, esta pergunta se torna mais premente do que nunca. Da resposta que cada um der a ela, depende toda a orientação da própria vida. Nós, que caminhamos na fé, respondemos com São João: “Todo aquele que proclama que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele e ele em Deus. Nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem para conosco. Deus é amor” (1Jo 4,15-16).

 

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