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"Recebei o Espírito Santo" PDF Imprimir E-mail

(Jo 20,22)

É intensa a mobilização que ocorre no coração humano quando ouve dizer que vai receber. O sentido e o alcance do verbo receber tocam o mais profundo do coração. Um toque que mexe com as carências individuais e grupais que sempre são muitas, quase insuperáveis. São muitas também porque é comum a voracidade de sempre se querer mais. Nunca se está satisfeito. Há uma mistura do potencial humano em desabrochamento com o egoísmo mesquinho que tempera os desejos. Esse turbilhão de buscar mais, marca da dinâmica do coração humano, temperado pela insatisfação, configura uma avalanche de desejos nos corações. Uma avalanche que também faz perder rumos e direções, criando inadequações e comprometendo os vínculos fraternos. Assim, a oferta para receber toca o mais profundo de cada um. Ouvir dizer que se pode receber é a abertura de um novo horizonte. Recriam-se esperanças e reacende as forças para a luta. Esta é uma direção que interessa a todos. Precisa-se sempre receber. Há sempre algo a receber. Quando se recebe algo um passo novo pode ser dado.
 
Jesus oferta
Quando Jesus se coloca no meio dos seus discípulos e lhes faz a oferta do Espírito Santo. Pode-se imaginar a repercussão no mais profundo dos seus corações. Seus corações não eram apenas necessitados de uma oferta para refazer forças e retomar o caminho proposto pelo Mestre. Os discípulos tinham os seus corações divididos, conseqüentemente incapazes de audácias e generosidades para garantir os compromissos pedidos a eles pelo seu Senhor. A divisão dos seus corações estava operada pelos fantasmas do medo. O medo que tranca tudo e enlouquece pela força danosa dos seus arroubos imaginativos. Uma verdadeira doença. Uma doença que precisa de cura. Uma cura que só pode ser operada por um médico e um remédio de força superior. Outras tentativas são insuficientes. Outras providências são apenas caminhos percorridos pela metade. E o Senhor que conhece a fragilidade dos corações se põe no meio dos seus discípulos e lhes oferece a cura. Uma cura que faz deles os apóstolos corajosos incendiando os caminhos do mundo com as propostas do amor. 
                                                 
O Espírito Santo
Os discípulos são despertados para uma nova consciência. Uma consciência nova que lhes atinge modificando a inteligência e os afetos do coração. Só mesmo a ação do Espírito Santo, amor de Deus derramado nos corações, tem propriedades e forças para atingir conjunta e radicalmente inteligência e afetos. Só assim ocorrem as mudanças necessárias. Só assim é possível ver o conjunto e permear tudo com a força do amor do coração do próprio Deus derramado na fragilidade do coração humano. Um derramamento que recompõe os pedaços todos, e cria unidade. Aquela unidade que é a condição determinante para ser a alavanca que o humano precisa criando-lhe as condições das ofertas generosas e a superação dos fechamentos e de toda mesquinhez que destrói planos, atrasa processos e emperra as condições de se experimentar uma verdadeira alegria. E os discípulos compreendem o sentido e o alcance do acontecimento de pentecostes em suas vidas. É a presença do Senhor percebida e experimentada tocando e recompondo as veras mais escondidas do coração humano.
 
E eles se alegraram
A fragilidade do coração se radicaliza na medida em que não se faz a experiência da alegria. Ora, alegria não é simples sensação. As sensações são passageiras e quase sempre ilusórias, confundido ou escondendo o que de verdade conta. O sentido da verdadeira alegria está no gesto nobre e generoso do Mestre que vai ao encontro dos seus discípulos e lhes faz, sem que houvesse um pedido explícito e suplicante, uma oferta. Na verdade, a oferta mais preciosa do coração de Deus Pai e de Deus Filho: o Espírito Santo. E neste gesto de ofertar, emoldurado pela presença amorosa que enche os corações, os discípulos reencontram o rumo da verdadeira alegria. Alegria que se conquista pela força desta presença qualificada que vem ao encontro, nas situações mais graves e comprometidas da vida dos seus discípulos. Uma presença que é experimentada na força da oferta que se faz daquilo que se tem de mais precioso. O enriquecimento dos discípulos com o dom do Espírito Santo é a lição mais sábia e completa do Mestre aos seus. Aprendida a lição da oferta e experimentada a força da oferta que o Senhor faz, nasce no coração do discípulo o novo que marca direções novas, incomoda o mundo, questiona os poderosos, cria coragem para se estar sempre entre os mais pobres e simples. E a alegria verdadeira se torna compromisso com o bem.
 
Como o Pai me enviou
O Senhor sabe tudo. Sabe tudo de cada um deles. Ele conhece a condição dos seus discípulos. Sabe muito bem as suas necessidades e conhece a fundo as suas fragilidades. A oferta do Espírito Santo e a experiência do seu amor, cultivada pela consciência afetiva de uma intimidade que se configura, pela oração e pelo redirecionamento dos afetos, dão uma estatura grandiosa aos discípulos de Jesus. Uma estatura cujas medidas criam as condições para que o Mestre possa indicar, neste diálogo de amor, simples e terno, aos seus discípulos direções audaciosas e propostas desafiadoras. O discípulo ganha pela ação do Espírito Santo a possibilidade de uma estatura que o coloca no âmbito dos compromissos que o Pai confia ao Filho, Redentor e Salvador. O amor de Deus derramado nos seus corações pela ação amorosa e invisível do seu Espírito dá aos discípulos a condição de uma ação no mesmo horizonte da ação redentora de Cristo Jesus, enviado ao mundo pelo desígnio amoroso de Deus Pai. A responsabilidade é grande. A missão se torna a fonte da verdadeira alegria. Sua realização se torna possível pela audácia da oferta. Mudados os discípulos, renova-se a esperança de mudar o mundo. Uma mudança cuja radicalidade se localiza no coração amoroso de Deus. E cada discípulo, pela força do amor de Deus, se torna n’Ele servidor na redenção e na libertação, pela força de sua palavra: ‘Como o Pai me enviou, eu também vos envio’!
Dom Walmor Oliveira de Azevedo - Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte
Fonte: CNBB