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Semana Santa: realidade e símbolos PDF Imprimir E-mail

Bispo de Jales (SP)

Com o Domingo de Ramos iniciamos a Semana Santa. Para ela nos preparamos ao longo dos quarenta dias da quaresma. Salta aos olhos que estamos num contexto simbólico. Tanto o número sete como o número quarenta, possuem na Bíblia uma carga simbólica, cujo significado é posto a serviço das celebrações realizadas pela Igreja.

Os quarenta dias lembram sobretudo a longa caminhada do deserto, rumo à terra prometida. Não foi só uma caminhada física, para vencer distâncias. Foi sobretudo uma caminhada espiritual de descoberta do Deus verdadeiro, uma caminhada ética de identificação de valores a serem assumidos como mandamentos, uma caminhada política de construção da identidade nacional, e uma caminhada social de educação para a convivência solidária na busca das condições de sobrevivência.

Os quarenta dias da quaresma nos apresentam, em cada ano, a complexidade do conjunto de referências básicas, que precisam iluminar a construção permanente de nosso contexto vital. É por isto que a quaresma é tempo oportuno para acolher temas vitais para o convívio humano, que a campanha da fraternidade se encarrega de nos apresentar em cada ano.

Se os quarenta dias da quaresma já solicitam nossa atenção, a Semana Santa é ainda mais densa de simbolismo, que precisamos perceber para não ficarmos na superfície das cerimônias.

Sua carga simbólica nasce do significado do relato bíblico da criação, apresentado no quadro de uma semana. As resistências modernas diante da bíblia se originaram no equívoco de não perceber a caráter simbólico deste relato.
É importante interpretar a Semana Santa à luz da semana da criação.

Para a Bíblia, a semana é a medida simbólica da totalidade do universo. Desde a sua primeira página, ela apresenta o mundo, ritmado na seqüência de sete dias, expressando a perfeição do projeto divino, e sua realização harmoniosa na natureza.

Daí nasce a força simbólica da semana. Ela é a medida do universo, a expressão dos desígnios originais de Deus.

Pois bem, Cristo veio retomar estes desígnios, e refazê-los com a nova medida da misericórdia divina, que assimila as conseqüências do pecado, e reintegra a humanidade em seu mistério de amor.
A primeira semana, da criação do mundo, revela o poder de Deus, que faz tudo acontecer sob o comando de sua palavra.

A segunda semana, a Semana Santa, também revela o poder de Deus. Mas um poder diferente, que surpreende a humanidade. O poder da misericórdia, que assume a forma de fraqueza humana, manifestada pela humilhação do Cristo que aceita o sofrimento e a morte, frutos do pecado, para vencê-los com a força do amor.

A semana da criação revela a eficácia da Palavra criadora, que ordena e tudo faz acontecer. A Semana Santa manifesta a fecundidade da obediência de Cristo, que aceita o cálice amargo, e por meio dele redime a humanidade e faz acontecer o “homem novo”, que manifesta todo o seu vigor na glória do Ressuscitado.

Esta a proposta da Semana Santa. Ela nos atrai pelo fascínio dos seus símbolos, que facilitam sua celebração. Mas nos interpela para acolhermos seu significado profundo, que desafio a maturidade de nossa fé. Por enquanto, nossa cultura ainda oferece o suporte de sua tradição. Que este suporte não seja motivo de superficialidade inócua, mas ao contrário, convite para assumirmos conscientemente o seu significado vital.