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Sou católico e maçom: qual é o problema? PDF Imprimir E-mail
Escrito por Dom Redovino Rizzardo   
Apesar de, na adolescência, alguém ter descortinado em mim indícios de vocação mais militar do que eclesiástica, nunca me senti com armas em punho. Não sei se por virtude, formação ou temperamento, não é de meu feitio inventar inimigos para ter o prazer de destruí-los. Percebo-me mais levado à comunhão do que ao combate. Nestes oito anos de episcopado, penso que em nenhuma homilia eu tenha perdido tempo condenando a quem pensa diferente, seja ele espírita ou evangélico, ateu ou maçom. Até mesmo porque tenho por mim que é melhor acender uma luz do que amaldiçoar as trevas.

Mas, ao mesmo tempo, tenho consciência que não posso ficar em cima do muro, sem tomar uma posição definida, para não perder os amigos e não ser criticado pelos “inimigos”. Se assim fizesse, estaria sendo infiel à minha missão, como adverte o profeta Ezequiel: «Filho de Adão, eu te coloquei como sentinela na casa de Israel. Quando ouvires uma palavra de minha boca, tu falarás em meu nome. Se eu digo ao perverso que ele morrerá e tu nada disseres para que deixe sua má conduta e conserve a vida, ele perecerá por sua culpa, mas a ti pedirei contas de seu sangue» (3,17-18).


Fiz essa introdução porque, nestes anos de episcopado, foram inúmeros os católicos que me procuraram para saber se, em sã consciência, poderiam fazer parte da Maçonaria. É a eles que desejo responder neste artigo, sem pretensão de falar em nome de outras denominações cristãs que, talvez, tenham opinião diferente.


Primeiramente, quero lembrar que só se sente realizado quem tem e assume uma identidade clara e definida. Ser ecumênico não significa renunciar a convicções pessoais. Nem ter que ser necessariamente sincretista, nivelando todas as culturas e religiões. O pluralismo só é virtude onde existe maturidade e comunhão.


Dito isso, o que devo responder aos católicos que me perguntam se podem ingressar na Maçonaria? À primeira vista, a resposta pareceria afirmativa, pois assim como o Rotary e o Lions, a Maçonaria não se define como religião, mas como «uma instituição fraterna e filantrópica, uma filosofia humanista, preocupada antes de tudo pelo homem e consagrada à busca da verdade», apesar de considerá-la inacessível. Mesmo contando com ritos e símbolos que a assemelham a uma religião – tanto que se fala em templos maçônicos –, ela se diz aberta a crentes e não crentes. Talvez seja por isso que, enquanto algumas Lojas manifestam uma verdadeira ojeriza por Deus, outras até parecem exigir de seus membros uma fé religiosa.


Apesar de contar com um grande número de amigos que pertencem simultaneamente à Igreja Católica e à Maçonaria, preciso reconhecer que, entre elas, há princípios que se opõem mutuamente. Tanto é verdade que, se nos primeiros anos de filiação os membros católicos continuam praticando a fé, à medida que sobem na graduação maçônica, a imensa maioria se afasta decididamente da Igreja e dos sacramentos, acabando no indiferentismo religioso.


Os motivos são múltiplos e diversificados. Um deles é o laicismo propugnado pela Maçonaria. Não se trata da laicidade positiva defendida pelo presidente francês Nicolas Sarkozy. O laicismo imposto pelo Iluminismo e pela Revolução Francesa reduz a religião à esfera privada, vetando-lhe qualquer interferência na vida pública. Nele, os valores são ditados pela democracia e impostos pela maioria. Não tendo origem divina, nenhuma moral é definitiva, mas evolui pelo consenso da sociedade.


Outro ponto de divergência é o racionalismo. A Maçonaria não aceita verdades reveladas. Rejeita os dogmas impostos pela fé. Tudo tem que ser explicado pela razão. Fica complicado, portanto, para um católico maçom continuar acreditando na encarnação e na ressurreição de Jesus – só para dar dois exemplos.


A própria imagem de Deus apregoada pelos maçons é muito diferente da que foi revelada por Jesus. Para a Maçonaria, o Grande Arquiteto do Universo é um Deus abstrato, distante e inacessível, uma espécie de “mestre relojoeiro”. Deixa as coisas acontecerem e não interfere nos assuntos dos homens.


Como o leitor católico percebeu, não é simples falar de sintonia e convivência em matéria de religião. Apesar de se declarar tolerante com todas as religiões, a Maçonaria manifesta certa dificuldade em aceitar a influência da Igreja Católica na sociedade. Contudo – sem entrar no mérito de outros aspectos, como a entreajuda que vigora entre os maçons (e que desaparece quando alguém deixa a entidade), e a seleção rigorosa de seus membros, escolhidos a dedo entre as classes mais favorecidas –, para um diálogo frutuoso e uma convivência pacífica, o primeiro passo a fazer, de ambas as partes, é a sinceridade de intentos, o desarmamento dos ânimos e a superação dos preconceitos criados ao longo dos séculos.