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Verdades que chocam, transformam e arrastam... PDF Imprimir E-mail

D. Eusébio Oscar Scheid

Arcebispo da Arquidiocese do Rio de Janeiro

Queremos hoje refletir sobre certas verdades, certas afirmações categóricas, poderíamos dizer até dogmáticas, da Sagrada Escritura, que nos concitam a uma mudança maior, que nos preparam para tomadas de atitudes maiores. Nessas transformações, que a verdade opera, porque a palavra de Deus é eficaz em si, nós encontramos um grande estímulo, para avançar no caminho da virtude.

A primeira verdade que assinalamos e sublinhamos é, que a Cristo, na sua última verdadeira preleção de Mestre, nos confiou nos capítulos de São João: 13 ao 17. Jesus expõe uma série de verdades fundamentais que jamais podemos esquecer. Fala Jesus: “Eu não vos chamo servos ou escravos, (Ele fala aos seus íntimos colaboradores) não estais aí para me servir, mas eu vos chamo de amigos”. Sabemos que a amizade é o máximo valor humano, não há outro valor que se lhe compare, a amizade que é troca, intercâmbio de valores entre parceiros que se enriquecem reciprocamente. Jesus disse: ”Eu vos chamo de amigos”, isto é, eu vos faço amigos meus. Ser amigo de Cristo, não pode existir algo maior, ou mais consolador. Jesus acrescenta: o amigo é aquele que sabe tudo a respeito de seu amigo e por isso Ele acrescenta “Eu vos contei tudo, vos falei tudo o que trouxe da casa do meu Pai” e, por isso, vos chamo de amigos. Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando e acrescenta: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.

Uma verdade como esta, “Eu não vos chamo de servos, mas de amigos” deve ser um grande conforto para qualquer pessoa cristã e mesmo para pessoas não cristãs.

Outra afirmação que encontramos em São Paulo, falando aos Romanos, orgulhosos e cientes da sua grandiosidade, na época em que Paulo foi a Roma, na carta preparatória dessa visita, no capítulo oitavo verso 28, ele afirma: “Para os que amam a Deus, tudo concorre para o bem”.

O bem é a resultância de todos aqueles que amam de verdade. É uma outra das verdades que nos consolam, nos empurram praticamente ao amor verdadeiro, ao amor sem interesse, gratuito, que Deus nos dá, e que nós em troca deveríamos, pelo menos por gratidão, prometer e retribuir. Para os que amam de verdade, isto é, sem paixões, sem ciúmes, amar pelo fato de se querer bem aos outros, sem interesses pessoais, absolutamente gratuito, sem condições, amor irrestrito e, se possível, constante. É só fazer aquilo que Deus nos pede, amar de verdade e o bem baterá à nossa porta. Baterá sempre.

O autor da Carta aos Hebreus era da escola de São Paulo, escreve assim: “Nós não temos aqui cidade permanente ou melhor uma parada permanente, não temos aqui morada fixa, mas buscamos a que há de vir”. Isso nos aponta o aspecto escatológico, isto é, a nossa vida em marcha, a Igreja em marcha e nos dá essa perspectiva do futuro: buscamos o que há de vir, buscamos com ânsia, aliás até parece que a parada definitiva é que nos atrai pela força de Deus, do Espírito Santo, nos conduz ao encontro dessa morada fixa a que o Senhor nos chama e para a qual queremos peregrinar com alegria. Jesus disse: “Eu vou adiante, para vos preparar um lugar”. Jesus fala assim naquele discurso memorável de despedida, que encontramos na última ceia. Antes de começar sua agonia, ele assegura “Vou adiante para vos preparar um lugar”. Em São João no capítulo sexto, afirma: “No último dia eu virei buscar a cada um de vocês, eu virei”. Essa verdade é tão consoladora, ela arrasta, ela tira qualquer um da tristeza... A vida presente é triste como Santa Teresinha tantas vezes repete, essa vida triste, esse como que cativeiro, essa vida no “vale de lágrimas”. Se alguém se sente assim, que se lembre, não temos aqui morada permanente e todas as provações, as doenças, os percalços, os tropeços, tudo isso nos deve recordar que o nosso destino é bem além e ultrapassa essas contingências de tempo, de espaço e de circunstâncias do peregrinar terrestre.

Jesus, na parábola da videira e dos ramos, afirma: “Um ramo, separado da cepa, não pode produzir frutos”. Depois se volta para os Apóstolos e para o povo e diz: “Sem mim não podeis fazer nada”. Parece algo triste, nós gostaríamos de ser agitados, ativos, fazer, agir... Quereríamos ser autores e atores mas, nós dependemos do auxílio do Senhor, “Sem mim nada podeis fazer”. Nada é nada. Mas, essa afirmação, aparentemente negativa, vem completada com aquelas outras: “Mas, para Deus nada é impossível. Posso tudo nAquele que me conforta” (Fl 4,13). Por isso não servem cristãos covardes, cristãos medrosos, cristãos sem ânimo, - “Posso tudo nAquele que me conforta” – tudo consigo, porque ele me sustenta. É esta a grande verdade que, nos transforma, nos transporta, parece que nos arrasta para frente.

Outra verdade que é preciso relembrar para alguns que tem uma espécie de fobia de normas e de leis. O Salmo 118 (119) afirma: “A minha alegria está na lei do Senhor; a lei do Senhor é minha luz”. O longo salmo repete: “A lei do Senhor é minha alegria, é meu conforto, é meu sustento, é meu amparo, é minha rocha...”. Convém aqui lembrar o seguinte: a lei está inscrita na nossa natureza, a chamada lei natural, tudo o que há na lei do decálogo, dos 10 mandamentos, ou outras leis que o Senhor nos deu, elas estão inscritas, todas, dentro de nossa natureza. Assim, por exemplo, não se deve mentir, porque o mentir é desumano; matar é desumano, viver na devassidão é desumano, não honrar pai e mãe é contra a natureza. Deus, pela lei, não fez outra coisa do que explicitar, explicar o que a nossa natureza já pedia. Você se sente bem se vive a caridade. (“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”). “Não matarás”: a pessoa que mata, nunca mais tem paz, ocorre um estado tão triste com certas pessoas criminosas, que se diz que eles estão fora do bem e do mal, eles se corromperam de tal forma em sua natureza, que não há mais nem voz da natureza, nem voz de Deus que lhes fale ao coração.

A lei é uma alegria, e é bonito isso, saber que Deus nos explica, nos conduz, nos quer levar com mais facilidade pelo caminho que nós já deveríamos percorrer por natureza. Por isso, “alegrai-vos sempre na lei do Senhor, porque ela é minha luz e é meu caminho”!

As palavras do Senhor são “espírito e vida”, dinâmica, convite para reagir, corresponder. Algumas verdades até nos chocam pelo realismo do conteúdo, outras, espontaneamente nos consolam, animam e arrancam da inércia. É este um dos aspectos mais confortadores da Palavra do Senhor.

Transcrito da Amai-vos